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2022 Será Diferente?



O ano de 2022 pode levar à busca por um símbolo do combate à corrupção.


2018 foi um ano eleitoral diferente de todos os outros. Além da internet como fator predominante nas eleições, travamos uma verdadeira batalha para retirar o PT do poder. O principal motivo, obviamente, foi impedir que um partido tão envolvido com corrupção fosse o vencedor. Bolsonaro prometeu interromper essa herança corrupta, prometeu agir diferente, mas vimos que ele não era tudo isso. Baseado nesse cenário, é possível dizer que o ano de 2022 será diferente?


Levando em consideração os acontecimentos do corrente ano, parece que a história está para se repetir: buscar-se-á uma figura oposta a do presidente. Contudo, apenas a mera oposição não será suficiente, é preciso algo mais. Moro recebe amplo apoio de diversos movimentos que declararam publicamente o apoio à lava jato e à sua figura. Há, nesses movimentos, ou melhor, em toda essa movimentação, algo peculiar: sua organização. Normalmente, temos um amplo esforço, apoiado por grandes recursos financeiros — normalmente públicos — para alavancar campanhas. Utiliza-se a TV, os meios de comunicação e a internet. O objetivo é angariar o máximo de apoio possível, conquistando um público diversificado. Mas essa movimentação começa de cima, por assim dizer. Há um grande esforço para conquistar o público.


Com os movimentos pró-Moro está sendo diferente: o movimento está a começar de baixo. Esses movimentos não estão a escolher um candidato do ninho, eles foram buscar uma espécie diferente. Ou seja, o objetivo é tentar convencer o ex-juiz e incentivá-lo à candidatura. O trabalho ocorre mesmo sem uma declaração oficial da candidatura do ex-juiz, que, como disse no meu artigo fixado em meu perfil, está a observar o cenário. É provável que Moro desponte como candidato à presidência, a menos que ele tenha implicações singulares e jurídicas no caminho, como alguns espíritos parecem realizar. Hoje, Moro coleciona inimigos de todos os âmbitos: políticos, jurídicos, parlamentares. Fica evidente que há um forte movimento para impedir sua candidatura, o que nos leva à pergunta: por quê?


Moro, como Bolsonaro havia feito em 2018, também apresenta-se como um homem da justiça, o indivíduo que pretende empenhar-se no combate à corrupção. Contudo, além do perfil e empenho individual, Moro não está a apresentar-se para fazer; é por ter feito que ele está a se apresentar. Explico: Bolsonaro desejava vencer a eleição para por fim à corrupção, ou seja, ele queria um voto de confiança para fazer, mas vimos que ele tem sido muito leniente com corruptos, o senhor Arthur Lira é uma evidência disso. Moro, contudo, teve notável desempenho em seu período como juiz, ou seja, ele já estava a atuar nesse cenário. Portanto, os caminhos percorridos são distintos.

Os grupos pró-Moro não desejam alguém que irá prometer algo, eles desejam alguém que realmente tenha feito algo com relação à corrupção, essa é a grande diferença. Ainda não se sabe muito sobre as pautas políticas de Moro — um grande mistério. No entanto, ele está a crescer levantando apenas duas bandeiras: o combate à corrupção e o apoio à lava jato, isso parece ser suficiente para algumas pessoas. É possível que haja uma divergência em relação às pautas políticas, mas não creio que seja algo completamente disruptivo, apenas divergente. De todo modo, ele está a crescer no cenário político, assim como o número de apoiadores. Parece impossível imaginar um cenário em que Moro não desponte como candidato, mas, e se?


E se ele não quiser?


Eis a questão. Muitos preferem não inferir um cenário em que Moro não é candidato, o que, a meu ver, é um erro, devemos pensar em todas as possibilidades. O que fazer para que não tenhamos os mesmos velhos candidatos de sempre, políticos que estão a tentar algo desde 2000?

Em primeiro lugar, creio eu, é preciso lutar por mudanças em nossa sistema eleitoral. Ninguém deveria ser forçado a filiar-se à legenda, de modo algum. Quando isso ocorre, além de ter que lidar com o compromisso abstrato com o partido, você o representará e ele a você, ou seja, caso o partido incorra em crime, o seu nome estará, involuntariamente, manchado.

Há pontos positivos, claro. O partido permite criar uma pauta em comum, conciliar objetivos, entre outros exemplos. No entanto, parece-me que há uma predileção em atender, antes das exigências do candidato, que é dotado desse direito, às exigências do partido, o que permite fomentar uma espécie de hegemonia partidária. Há um conflito constitucional sobre o caso, mas não pretendo abordar esse assunto.


O fato é que essas restrições podem inviabilizar novas candidaturas, ou seja, pode impedir que novos nomes apareçam. De todo modo, é prudente pensar em todas as possibilidades, pois elas não são restringidas à pensamentos prediletos. Mas, sim, Moro está à frente dos demais nomes, no sentido de mudança.


Teremos uma mudança em nosso cenário político? Será que, novamente, lidaremos com a dicotomia PT vs alguém? Escolheremos qualquer candidato apenas por ser avesso ao PT? Isso não deu certo na última vez, ou melhor, continuamos com o "PT no poder"


Parece que só teremos a resposta em 2022.


Renan Jorge

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