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A Cédula de R$200,00 é Útil?

Escrito por: @_Conservador


Introdução


Recentemente, o Banco Central informou que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o lançamento da nova cédula de R$ 200,00. A medida, criticada por muitos especialistas, foi um dos focos do debate público esta semana, em parte, devido à sensibilidade do público em geral a respeito das falcatruas e da eventual inflação que porventura poderiam envolver as novas impressões referentes à nova cédula. Mas afinal, será que a criação de uma cédula de R$200,00 é mesmo útil?


Para deixar bem clara a minha posição, eu não sou economista, mas como cidadão que acompanha diariamente as notícias envolvendo política, acho muito estranho que o CMN aprove como medida a impressão de uma nova cédula para, através de uma tentativa frustrada, tentar aumentar o poder de compra do brasileiro devido ao acúmulo da quantidade de papel-moeda durante o período de isolamento, atitude esta tomada cautelosamente pelos brasileiros que provém da insegurança perante à pandemia.


Os Fatos


A nota deverá entrar em circulação a partir do final de agosto. A previsão é que sejam impressas 450 milhões de cédulas de R$200,00 em 2020, totalizando um custo de R$113,4 milhões. Além das novas cédulas, o Banco Central anunciou também que irá imprimir mais 170 milhões de notas de R$100,00, totalizando um custo de R$113,8 milhões aos cofres públicos.


De acordo com os dados do BC, a quantidade de papel-moeda em poder do público subiu 28,24% durante a pandemia, passando de R$ 216 bilhões em março para R$ 277 bilhões em julho. Este valor, que representa todo o dinheiro em espécie que circula pelo país, aumentou, muito provavelmente, devido a dois fatores:


- Há uma tendência de acúmulo de reservas dinheiro por parte das pessoas em tempos de incerteza;


- Há aumento expressivo de impressão de moeda em casas impressoras tanto no Brasil quanto no resto do mundo;


Isso, eventualmente, junto a queda da inflação, poderia assegurar o poder de compra do brasileiro depois da pandemia e fazer com que, naturalmente, através destas novas cédulas, o brasileiro se sentisse mais estimulado a gastar altas quantias em dinheiro em novos produtos do seu interesse, apesar da ameaça quase que iminente de um aumento da inflação (aumento de preços) no período pós-pandemia.


Tabela IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) -

Até o Atual Momento

Fonte: Calculador


A Visão Otimista


A diretora de administração do Banco Central, Carolina de Assis Barros, quando questionada sobre a modernização dos meios de pagamento e a possibilidade do aumento da inflação, disse o seguinte:


“Não há relação entre a colocação da nova cédula e o sistema de metas para controle da inflação. Nossa inflação está baixa e estável. O que temos é tão somente o Banco Central agindo preventivamente porque a população pode vir a demandar mais dinheiro em espécie.”

Segundo a diretora do Banco Central, o fato é que a quantidade de dinheiro (em espécie) em circulação no país bateu recorde histórico e que o Banco Central estaria, em tese, apenas atendendo a uma demanda da população:


"Se a demanda existe, a gente precisa atender. A gente não sabe por quanto tempo essa demanda adicional por dinheiro vai durar."


A Visão Pessimista


Segundo o co-fundador do site de notícias "Spotniks", Felippe Hermes, a criação da nova cédula representa um forte indício de que a inflação está prestes a retornar, se é que já não retornou. Para Hermes, apesar da inflação exorbitante nos anos anteriores, fato é que desde o início do Plano Real, a inflação soma (até hoje) quase 521% afetando, essencialmente, a camada mais pobre da população. Além disso, segundo ele, apesar de os índices de inflação demonstrarem preços sob controle, há uma forte inflação de ativos (bens que geram renda ou se valorizam) acontecendo neste momento no mundo.


Isso se deveria, em parte, pelo abuso do FED (o Banco Central Americano), ao imprimir dinheiro sem grandes consequências inflacionárias. Esse fenômeno irresponsável pode atrapalhar os produtores do resto do globo, inclusive os do brasil, já que, como o dólar é uma moeda que influencia diretamente no preço das commodities dos outros países, esses mesmos produtores poderiam responder aos EUA elevando os preços de produto para conseguirem equiparar-se aos ganhos que, na maioria das vezes, provém de investidores estrangeiros como os EUA.


Hermes conclui que, na verdade, a resolução do CMN trata-se de uma medida folclórica que escancara aquilo que por anos nos negamos a enxergar:


"A nossa moeda não é apenas um “papel colorido”, ela na verdade é bastante frágil e pouco pode nos separar de um tenebroso futuro monetário."






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