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A Classe Política Perdeu o Interesse?

Atualizado: Abr 6


O discurso inflamado de Kim Kataguiri colocou à prova o papel do congresso no combate à pandemia de covid-19. Com trechos exaltados e num tom de enfado, o deputado questionou a "conformidade" em que seus colegas encontram-se no atual cenário de crise sanitária. Seria este um gesto genuíno ou apenas um discurso populista para desmembrar-se da imagem abstrata de "político"? A resposta não é importante.


Não é importante porque, apesar do desejo em mensurar intenções e pensamentos — e ainda bem que nos foi imposta essa limitação —, nada mudaria o fato de que estamos, passado um ano crise sanitária, tão perdidos quanto estávamos no início, e este quadro de inércia passa a refletir em todas as áreas de atuação.


A real crítica do citado deputado — que, diferente de boa parte da oposição, não tem como objetivo dizer que o congresso é culpado por deixar o presidente sentado em sua cadeira, e apenas isso —, tem como objetivo questionar, efetivamente, o que está sendo feito para sairmos dessa situação.


Ora, o conformismo adotado por boa parte dos político têm explicação. Vale lembrar, por exemplo, o aumento de salários no final do ano passado. A pandemia não incomoda a classe política como incomoda o eleitorado, porque não há nenhum dano direto para servir de estímulo — exceto o de imagem, e, para alguns, nem isso.


Para boa parte deles, portanto, uma conversa de corredor é manifestação de repúdio suficiente, é amaldiçoar a contingência e lamentar a incapacidade humana — como se alguém soubesse realmente o que está a fazer.


Falando desta forma, o leitor pode pensar que estou a dizer que alguns políticos não querem que a pandemia passe — mas, em minha defesa, posso dizer que este "esforço para que nada seja feito" não pode soar como outra coisa.


Até o seu grau de conforto e preguiça foi levado às alturas, alguns podem até "roubar de casa". Deixando a brincadeira de lado, é preciso apontar para outro ponto de interesse no discurso do deputado: o grande esforço por tecer um outro adversário.


Parece que o brasileiro pode começar a derreter ouro, pois outro bezerro pretende ser esculpido em 2022. Os reacionários pretendem, sob o pretexto de voltar aos dias de "glória e felicidade", reeleger Lula. Outros revolucionários pretendem criar um cenário completamente novo, onde toda classe política será alterada em nome de um "messias".


Tão próximo do período eleitoral, eu recomendaria ao leitor a despir-se de qualquer esperança; pelo menos, vindas desses senhores. Graças à tamanha tolice e à competição pelo protagonismo de "herói da vez", todos se preocuparam em quem teria o nome mais divulgado pela folha, mas esqueceram de zelar por aqueles que são responsáveis por colocá-los em seus lugares.


A classe política perdeu o interesse? A pergunta talvez não seja a mais adequada, portanto, deixe-me refazê-la, e você, caro leitor, procure responder:


A classe política já teve algum interesse, senão para benefício próprio?


Por Renan Jorge

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