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A Narrativa Bolsonarista é Perigosa

Atualizado: 29 de Jul de 2020



Infelizmente, hoje o coronavírus fez mais uma vítima: o jornalista esportivo Rodrigo Rodrigues. Antes de discorrer sobre o assunto do artigo, manifesto minha solidariedade aos mais próximos do jornalista, e às famílias das demais vítimas deste micro-organismo tão impiedoso.


Feito esse comentário necessário e simbólico, não há como calar-se diante de ato tão covarde e desonesto: deixar-se embriagar por sua ideologia, ou melhor, por seu personagem político. Os bolsonaristas politizaram uma morte e tentaram imbuir o seu medicamento milagroso às pessoas. O ato não foi inesperado aliás, essa não é a primeira vez que isso acontece. A narrativa pregada foi sustentada no uso do medicamento, que por não ter sido utilizado no jornalista, teria ocasionado sua morte. Mas isso não é tudo. Mesmo dentro da mídia, com um número de seguidores considerável, o jornalista Alexandre Garcia, que está a jogar sua carreira fora, chegou a dizer que "Bolsonaro é a comprovação científica da eficácia da cloroquina". Alexandre Garcia, além de demonstrar sua paixão pelo presidente, desinformou e comprovou que desconhece o que é a ciência. Para não prolongar-me no assunto, a própria OMS disse que não há comprovação científica da eficácia do medicamento. A revista nature, reconhecida internacionalmente, também publicou artigos que reforçam esse argumento — sem contar os estudos em nosso próprio país. Enfim, se eu descrever todos os estudos que mostram a ineficácia do medicamento, provavelmente tomaria todo espaço deste ensaio. O fato é que a tese do jornalista, que é a mesma dos Bolsonaristas, é de que algo que supostamente está funcionando num indivíduo deve ser aplicado em outros. Isso nem de longe é ciência, é apenas uma ideologia perigosa.


Sou assíduo defensor da liberdade de expressão, assim como todos os leitores deste humilde espaço. Mas o que estes senhores estão fazendo não é apenas liberdade de expressão, é incitar a negligência, é mentir, é dissimular, é colocar pessoas em risco, assim como o presidente da República tem feito desde o início da pandemia. Isso não é ceticismo, é negacionismo, é tapar os olhos diante da realidade: o medicamento, pelo menos até o momento, não possui desejável comprovação científica. As consequências destes atos não são apenas com relação ao uso do medicamento, mas também à falta dele. Como publicado pelo portal R7, pacientes com lúpus foram internados pela ausência do medicamento cloroquina — agora sim —, um dos fármacos utilizados no tratamento. Ou seja, além de pregar a eficácia de um medicamento que não teve aval científico, estes senhores impedem o seu uso em casos realmente necessários.


A narrativa bolsonarista não limita-se aos campos aceitáveis — ela está a prejudicar todos nós. Além do desrespeito pelas famílias enlutadas — que estão a sofrer o suficiente —, eles ainda vangloriam-se da verdade sobre a pandemia, baseados apenas na recuperação — desejável — do presidente da República. São tempos sombrios, onde a narrativa política ultrapassou todas as barreiras. O caso não é ideológico — pelo menos não deveria ser —, o vírus não está à esquerda, nem à direita, não escolhe ricos, pobres, cor, gênero, nada; ele está a escolher a raça humana. O momento é de combater este terrível mal, mas quem deveria estar a ajudar nesta causa nobre, está a dificultar qualquer possibilidade de recuperação e melhora nos casos. Brasil, o país que já estava adoecido antes da pandemia.


Por Renan Jorge

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