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A Soberba do MBL

Atualizado: 27 de Jul de 2020


Depois do ataque à Lava Jato, o MBL perdeu o pouco de decência que lhe restava. Um de seus principais membros, Renan Santos, está a acusar os grupos pró-Moro de bovinismo. Sua tática baseia-se em transformar a exceção em regra, o típico discurso praticado por espíritos covardes.


Toda boa mente investigativa sabe que existem, em todo e qualquer movimento, pessoas apaixonadas e isso é inevitável. Vale pontuar o que o próprio Tocqueville observou:


"As crenças dogmáticas são mais ou menos numerosas, conforme os tempos. Elas nascem de diferentes maneiras e podem mudar de forma e de objeto; mas não há como fazer que não existam crenças dogmáticas, isto é, opiniões que os homens recebem em confiança e sem discutir".

Ou seja, não é apenas tolice contar com o ceticismo de todos, em todos os âmbitos, de modo rudimentar. Também é uma espécie de utopia que, no caso deste senhor, parece ser proposital. Em suma, deixar de apoiar uma pauta por uma paixão, resultará no fim da própria existência, já que é impossível fugir disso. A discussão aqui é: o movimento é massivo? Está a ser prejudicial? As boas pautas perdem sua dignidade pelos indivíduos que as defendem? A resposta é: não para todos os questionamentos.


Comparar os atuais movimentos pró-Moro com o petismo — massivamente reacionário e fanático — é, no mínimo, inglório. Os apaixonados ou os fanáticos, como já destaquei, vão existir, mas isso não significa que devemos abandonar as tradições, valores e pautas defendidas pela maioria, que é composta de indivíduos nobres. Se fosse esse o caso, o próprio MBL negaria sua existência, já que apoiou o impeachment da presidente Dilma. Podem esses senhores afirmar que não existiam pessoas fanáticas nas ruas? Que todos os que estavam lá eram pessoas com boas intenções, céticas e sem nenhum tipo de paixão?

O ponto aqui não é apenas filosófico — sendo um conservador, rejeito qualquer tipo de fanatismo político. Lidamos com um problema filosófico e político. Filosófico porque o MBL está a sentir-se além do bem e do mal; político porque esses senhores pensam gozar de toda glória política, cometendo até mesmo o erro de validar apenas os movimentos dos quais eles têm apreço.


A crítica ao fanatismo é sempre válida e bem-vinda — minha natureza cética não nega esse princípio. Mas esse não é o caso, pelo menos no que diz respeito ao MBL. A soberba do movimento está a alcançar o próprio céu: sua queda será terrivelmente lembrada. O MBL está a cometer o típico erro de um arrogante: ser juiz da própria causa — algo que Burke recusava profundamente. Contudo, o MBL parece desejar personificar a figura de um verme, o que, certamente, lhe cai bem, como dizia Nietzsche:


“O verme se enrola quando é pisado. Isso indica sabedoria. Dessa forma ele reduz a chance de ser pisado de novo. Na linguagem da moral: a humildade”.

Serão pisoteados de novo, e de novo, e de novo, e de novo...


Por Renan Jorge

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