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Aras Além do Bem e do Mal



É impossível ouvir o termo "além do bem e do mal" sem lembrar de seu maior defensor: Friedrich Nietzsche. Para o filósofo, a moral era somente uma interpretação de certos fenômenos — e uma falsa interpretação. Aras, por outro lado, não é filósofo, nem tampouco um imoralista com objetivos emancipatórios: ele é apenas uma marionete do establishment.


Aras está a agradar todos os grupos do qual fez, faz e fará parte: ao alertar sobre o fim da lava jato, que com eufemismo chamou de superação, ele orgulhou o seu antigo grupo festejo (PT) — que não é tão antigo assim; o seu atual chefe: o presidente da República — que selecionou-o pessoalmente para o cargo — e, por último, o seu futuro presidente: Dias Toffoli, que já trabalha para impedir a candidatura de Moro à presidência.


A superação que esse senhor pretende imbuir é apenas uma retórica sofista para ludibriar os bobos: ele quer "superar a operação". Segundo ele, o combate à corrupção é importante, mas deve ocorrer "conforme a lei". Palavras de um comediante, para usar outro termo de Nietzsche. Ele pretende agir de modo imoral para ajeitar algo que a ele parece incorreto, depois pretende agir de modo legal para cometer outras imoralidades. Esses senhores são tão hipócritas, que surpreende-me que ainda produzam saliva, pois parece-me que a única coisa que eles possuem na boca é o puro ácido da mentira: como ainda conservam os dentes?


Quantas ilegalidades, quantos abusos esses senhores cometeram — especialmente dentro do STF. Eles defendem o império das leis, mas, quando essa mesma lei aparece como empecilho às suas ambições abjetas, eles ignoram-na com todo o vigor de suas almas. Apesar do tom deste artigo, não estou a defender uma operação "além do bem e do mal", sem monitoramento, que não respeite os termos legais — nada disso. O grande problema no argumento de Aras é que ele mesmo confessou não ter encontrado provas de crimes da Lava Jato. Nesse caso, o que esse senhor pretende? O que deseja? O seu objetivo não passa de uma abstração aos olhos de um cético, ou melhor, está claro o que esses senhores desejam: eles querem controlar o combate à corrupção. Querem uma força tarefa seletiva, que chegue apenas nos indivíduos determinados por sua estirpe: "os seus inimigos". Mesmo que fosse o caso — mesmo que alguns tivessem cometidos excessos: que sejam punidos por isso, mas que mantenha-se o arcabouço da operação — que agora pode ser considerada uma conquista de nossa sociedade.


Suspeito de qualquer individuo que deseja "melhorar algo" — não que seja impossível, mas todo cuidado é pouco. O desejo desses senhores é domesticar os homens. O presidente Bolsonaro apostou em Aras: ele precisava abandonar o combate à corrupção, mas despertaria a cólera de seu eleitorado — ele precisava de Aras para esse serviço. E deu certo: o plano foi tão eficiente, que agora os Bolsonaristas não precisam do aval do mestre para defender Aras: eles fazem isso de modo voluntário. Se o plano desses senhores funcionar, nossa sociedade será domesticada: tudo bem entregar aos espíritos duvidosos nossa maior conquista em relação ao combate à corrupção: a lava jato. Quem coaduna com esse tipo de plano, com essa narrativa, com essa retórica mentirosa, está entregando-se voluntariamente ao estábulo. Contudo, não há muito o que fazer para alertar esses espíritos: estão cegos, embriagados por sua paixão política. Parafraseando Nietzsche:


"Quem sabe o que acontece nos estábulos, duvido que o animal seja nele "melhorado". É debilitado, é tornado menos perigoso, pelo sentimento depressivo do medo, pela dor e pelas feridas se faz dele um animal doente".


Bolsonarismo, a seita que convenceu seus súditos de que o estábulo é melhor.


Por Renan Jorge

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