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As Moiras Políticas

Atualizado: Jan 13


Num verdadeiro cenário de instabilidade e desespero político, os eleitores estão a torcer para que os fios do destino do país sejam tecidos com cautela. Contudo, as moiras não encontraram o olho, e suas mãos parecem determinadas a cortar o que se apresentar à frente.


Não é de hoje que os eleitores demonstram desconfiança em seus políticos. Entretanto, o senado, a câmara dos deputados e a presidência da república, que normalmente costuma ser o centro das atenções, são governados por verdadeiras "moiras políticas".


Nessa sátira política, as moiras são retratas como devem ser: figuras que não nutrem simpatia pela maioria dos homens. Ora, não seria diferente, já que essas criaturas seriam responsáveis por determinar o destino dos homens. O problema é que homens não desejam viver com medo, com insegurança e com incerteza; os homens desejam ser os protagonistas de seu próprio destino, projetam e planejam e, quando se está a notar que determinados fios são tratados de modo privilegiado, os homens podem se voltar contra os "tecelões da finalidade".


Ninguém sabe com quem está o olho — embora essa deva ser, na melhor das hipóteses, o desejo dos justiceiros. Poder-se-ia dizer: assim não há como privilegiar alguém, mas isso não aplica-se à política.


Nessa roda da fortuna, uma coisa é certa: os fios políticos estão bem longe de qualquer "tesoura". A esperança de um "senado", "um congresso" e um "poder executivo renovador", de fato, foi apenas uma ilusão dos "deuses políticos". Neste palco nauseante, onde a única certeza é a desgraça dos homens, ser político significa viver longe do infortúnio, do talvez, noutras palavras, do destino das "moiras".


Depois de eleitos, essas moiras não fizeram nada de muito relevante, mas demonstraram que, quando se trata de proteger os deuses de Brasília, vale qualquer coisa. Ou seja, diferente das narrativas gregas, essas moiras não possuem autonomia sobre o destino dos deuses, porque os deuses "negociam como ninguém".


Como estes fios políticos estão lá em cima, tudo bem cortar tudo que está em abaixo. A única forma de escapar deste destino doloroso, caso haja dentro do corpo o sangue mortal, é ser um "semideus".


Não seria novidade, seja na mitologia, seja na vida real, os deuses preocupam-se com seus filhos, protegem-nos de qualquer coisa e, em política, até das mãos terríveis do "destino".


Àqueles que ainda acreditam que há alguma oposição entre esses espíritos, o título de ingenuidade parece o mais adequado. Não há respeito pelo eleitor, seja por parte do presidente do executivo, seja por parte dos presidentes dos demais poderes, só uma coisa interessa: o poder, a glória, a fama, o "Olimpo". Glória que não pertence aos homens, apesar de reforçarem, mesmo que indiretamente, todas essas honrarias. As moiras não param de cortar, os homens não param de correr, e nada muda. Por Renan Jorge

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