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Bolsonaro 2022: uma Derrota que Requer Cuidado

Atualizado: 10 de Nov de 2020


O cenário político para o ano de 2020 está se desenhando aos poucos. Depois da eleição norte-americana, que culminou na derrota de Trump, já se está a falar, num tom muito esperançoso, da queda de Bolsonaro. Contudo, esse evento parece mesmo previsível? E, se for esse o caso, devemos nomear qualquer nome?


O sonho do impeachment ficou cada vez mais distante ao ver Bolsonaro negociar abertamente com o centrão. Claro, a negociação foi encoberta sob o pretexto de ser uma "articulação política" — coisa que o governo negou-se a fazer, mas que mudou de posição conforme o avanço das denúncias envolvendo o filho do presidente, Flavio Bolsonaro. Depois disso, a coisa só piorou: intervenção e demissões nos ministérios, novos traidores da pátria surgiram a cada dia, e o governo, que arriscou-se em declarar-se inocente, foi elogiado apenas pelos adeptos do bolsonarismo cego.


O fato é que Bolsonaro mentiu tanto durante todo o seu mandato, que agora não lhe resta nenhuma promessa futura, nem tampouco qualquer razão presente para conservar o seu governo — tudo isso é verdade. Porém, apesar do entusiasmo gerado por uma possibilidade como essa, é necessário avaliar corretamente os candidatos, para não elegermos um governo tão fracassado e mentiroso como o de Bolsonaro.


Existem pessoas que estão a dizer que qualquer um é melhor que Bolsonaro, ou que vale tudo para tirá-lo do poder, mas essa é uma mentalidade muito perigosa, que, apesar de considerar as circunstâncias justificáveis para sua existência, não deixa de ser considerada uma espécie de concepção fanática. Não importa se está à direita ou à esquerda, o ódio em política é sempre uma ameaça à sociedade.


O desejo em retirar Bolsonaro do poder é quase universal, mas isso não significa que todos que estão a pensar assim o fazem por prudência, por uma preocupação em preservar a ordem, a sociedade, a paz. Algumas pessoas, aproveitando-se deste cenário caótico, apenas desejam implementar o seu projeto parasita de poder, fazendo morada permanente em Brasília. A permuta será a seguinte: eu retiro o Bolsonaro para você, mas não atreva-se a reclamar de mim.


Há uma tentativa em deixar na sociedade uma espécie de elo cunhado na dívida. Eu destruí o seu inimigo, e você deve-me um favor. Foi com esse mesmo contrato que o bolsonarismo tornou-se o que é agora: uma política baseada na eterna servidão. Esses espíritos serão eternamente gratos ao Bolsonaro pela vitória em relação ao PT. Um inimigo em comum, uma aliança assentada na fidelidade abstrata, um erro que pode ser cometido em 2022.


Não será difícil encontrar um perfil assim, na verdade, para alguns, não será nem mesmo necessário. Bastará apresentar-se como opositor ao presidente, que isso irá conferir ao candidato todo "histórico" que ele precisa. A verdade é que alguns candidatos não apresentarão sequer uma proposta decente. Eles investirão em ataques, em propagandas antagônicas ao governo, compartilharão todo tipo de notícia comprometedora possível. Não estou a dizer que coisas do tipo não devem ser feitas, estou a dizer que isso não é o bastante. A oposição não configura qualquer mérito ou virtude ao candidato, nem revela nada de conclusivo, somente o sentimento que nos acompanha no presente, o medo, o ódio, a raiva.


O grande problema? As pessoas buscarão uma mudança em sociedade através, mais uma vez, da política. Ora, as pessoas estão a buscar um candidato que mude a sociedade de cima para baixo, mas isso não passa de uma fábula. Por séculos, o próprio socialismo está a utilizar esse tipo de modelo, como se fosse função do Estado ajustar completamente a sociedade. Não adianta votar num presidente que pretende mudar completamente o Brasil, quando se está a votar em congressistas acomodados com os privilégios da sua classe. Também não adianta eleger um congresso com propósito e transparência, quando se deseja entregar o cargo de presidente ao primeiro desgraçado que surgir à frente.


A cultura, os hábitos, os costumes, o brasileiro está simplesmente ligado à impunidade. Elegeremos políticos decentes numa sociedade contaminada com essa mentalidade? Creio que o "sim" não seja uma resposta inteligente. Ora, deve partir a sociedade de um propósito maior do que extrair do governo uma quantia para procriação — esse não é o papel "preservador" do Estado, apoiar a reprodução desordenada. Em primeiro lugar, por mais paradoxo que possa parecer, o brasileiro precisa se esforçar para depender cada vez menos do Estado — esse deve ser o primeiro compromisso do Estado. Basta imaginar um filho de 55 anos que reside com os pais, que possuem 70. Esse é o perfeito exemplo de um país dominado pela mentalidade paternalista, onde o eleitorado é tratado como uma eterna criança que não consegue calçar o próprio sapato.


Em segundo lugar, antes de sair pelas ruas pregando o evangelho do novo mundo, é necessário refletir no que é, de fato, possível. Ora, as pessoas estão a acreditar em qualquer projeto de poder, simplesmente por ser chamado como tal. Ninguém transformará, de um dia para o outro, o Brasil numa potência mundial. Alguém que diga tão coisa é um verdadeiro mentiroso, que está a brincar com o sentimento de seu eleitor. As pessoas estão a pensar, por exemplo, que o crescimento econômico de um país é fruto do próprio Estado — não é. Depois de dois anos de governo Bolsonaro — o "governo liberal na economia, e conservador nos costumes" — além do fracasso nas privatizações, pouca oportunidade de crescimento junto à iniciativa privada concretizou, e a tendência é que esse dia nunca chegue. Quando parte disso passa a ser discutido, por pura vocação populista, o presidente decide voltar à estaca zero.


Conclusão? Qualquer espírito prudente deseja o término do governo Bolsonaro, mas um espírito prudente não está disposto a entregar o país nas mãos de um lunático como ele. Presidentes com esse perfil servem apenas profundos estudos em psicanálise e, portanto, para melhor investigação das psicopatologias. Não seria prudente cometer o erro daqueles que questionaram a famosa expressão popular que sustenta a ideia de que não existe nada ruim, que não possa piorar".


Por Renan Jorge

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