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Boulos: o Pai dos Pobres que Encantou as Elites

Atualizado: 22 de Nov de 2020


Uma grande pergunta para intrigar os "sociólogos": Guilherme Boulos, conhecido especialmente por sua participação no MTST, está a concentrar maior intenção de voto entre a elite, o que pode ser entendido como um verdadeiro contrassenso. Ora, não seria o PSOL e o candidato um dos grandes defensores dos pobres? Parece que não.


A provocação, é claro, embora tenha incorporado a figura do atual candidato, é mais antiga do que aparenta. O socialismo foi considerado ao longo de toda história um verdadeiro fracasso. Não somente por ser uma verdadeira utopia, mas porque, por negação ou por pura arrogância, os sociólogos não admitiram a única verdade por trás de toda essa abstração: o sonho do proletariado não é dividir os bens da burguesia, tornar uma sociedade mais justa, nem nada disso; o sonho do proletariado é tornar-se a própria burguesia. Fim do mistério? Ainda não.


Socialismo utópico, científico, o nome pouco importa, a grande questão é tentar descobrir o que ocorre empiricamente. Vê-se, por exemplo, diversas críticas ao maior representante da esquerda em toda história: Karl Marx. Entretanto, se esses espíritos que estão a criticá-lo tivessem tido contato com seus escritos — o que, pelo conteúdo, leva-me a crer que isso não ocorreu —, eles perceberiam que Marx foi um grande crítico do socialismo. Ora, o socialismo, se não representasse o estágio para o comunismo, não teria grande validade e utilidade, não passaria de um mero "servo da burguesia". Na crítica ao Programa de Gotha, fica claro o posicionamento de Marx em relação ao socialismo alemão.


Porém, também seria um erro dissociar Marx da esquerda — isso seria uma loucura. O correto seria classificar Marx como um verdadeiro incitador de revoluções. É claro que o próprio comunismo esteve destinado ao fracasso — a obra de George Orwell deixou isso muito claro. Entretanto, o comunismo buscou uma verdadeira "revolução do proletariado", e o proletariado não pode resistir aos "vícios burgueses". Onde está o erro?


Marx pensou que a transição ocorreria naturalmente, pois enxergou na queda do feudalismo a vitória da burguesia, e acreditava que o mesmo ocorreria na vitória da classe operária em detrimento da burguesia. Este não foi somente o erro de Marx, mas o erro de diversos sociólogos, eles acusaram os "compostos políticos". Eles culparam os senhores feudais, culparam a monarquia, a burguesia e, em todos os casos, o "homem Russoniano" estava sendo oprimido pelo "leviatã de Hobbes". Mas o mal conferido à sociedade é apenas mais um paradoxo — muito bem observado pelos libertários. Ora, se o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe, não seria a própria sociedade apenas um "conjunto de indivíduos"? Ou seja, como pode o homem ser bom, mas ao mesmo tempo ser oprimido por outros homens, que também são bons?


O grande problema do socialismo: ele nunca reconhecerá a "imperfeição humana". Ele enxergará os pecados dos sistemas, dos constructos, da "burguesia", da direita, mas enquanto o socialismo não tirar a própria trave de seu olho, ele tenderá ao eterno fracasso de sua existência, ele continuará a reforçar o seu paradoxo histórico


Boulos é apenas fruto dessa incessante teimosia; mais um pai dos pobres, que de pobre não tem nada. São Paulo não corre apenas um risco ideológico na mão deste senhor, São Paulo corre um risco econômico comum a tudo que é chamado de "gratuito" pelo socialismo. Ninguém contribuirá tanto para ruína desta cidade como o próprio eleitor do Boulos — que, com todo respeito, discordo "democraticamente". E não pretendo apresentar nenhuma "via alternativa" neste pequeno ensaio — as pessoas votam de acordo com suas convicções. Meu objetivo aqui é apenas denunciar este paradoxo atemporal. A conclusão política do socialismo nunca muda: o maior investimento em política, por mais ilógico que possa parecer, é o pobre.


Por Renan Jorge

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