• @UsConservadores

#CemMilEdai

Atualizado: 13 de Ago de 2020



Peço-lhe perdão, querido(a) leitor(a), por tomar um espaço maior do que o esperado, mas há questões que não podem ser remediadas. Em primeiro lugar, faz-se necessário desejar minhas condolências às famílias em luto, e mesmo que meu espírito deseje tecer os melhores versos e palavras para o conforto de vossos corações, jamais poderia consolar esses espíritos do modo que gostaria. Em segundo lugar, cumpre agradecer aos grupos envolvidos na tag mencionada no título deste artigo, especialmente porque, antes de tudo, o coronavírus tem sido negligenciado por diversos gestores públicos — se é que merecem ser chamados assim.


No início da pandemia, lembro-me que o doutor Drauzio Varella teceu comentários sobre o coronavírus, que à época estava na China. No vídeo, baseado nos dados que existiam à época, ele chegou mesmo a dizer que "o vírus não tinha todo esse potencial, e que sairia de casa normalmente”. Evidentemente, depois que o vírus demonstrou que mesmo os profissionais e médicos podem incorrer em erro, esse argumento foi utilizado como uma espécie de assassinato de reputação e ferramenta política, visto que o presidente adotou o termo “gripezinha” ao referir-se à covid-19. O doutor em questão errou, mas é preciso destacar uma coisa: ele arrependeu-se, fez um vídeo pedindo desculpas e reconhecendo sua imperfeição humana — como conservador, agradou-me tal atitude. Destaquei esse trecho porque, comparado ao presidente da República, por vezes chamado erroneamente de conservador, o doutor Drauzio Varella adotou um dos princípios basilares do conservadorismo: a já citada imperfeição humana e a humildade intelectual, ou seja, reconhecê-la em si mesmo. Um médico explorado pelo furioso Bolsonarismo foi mais conservador do que o seu representante. Não estou a dizer, evidentemente, que o doutor é um conservador — eu nem mesmo faço ideia e não interessa-me o seu ideário político —, aqui estou a analisar sua atitude.


Quem esperava um comportamento mais ativo e responsável do presidente, sobretudo no que concerne à imperfeição humana, enganou-se terrivelmente. O presidente insistiu no termo gripezinha, justificando essa ação como modo de parafrasear o já citado médico — mesmo com o arrependimento do autor da frase. A demissão do ministro Mandetta, a saída do ministro Nelson Teich e a ausência de um ministro no comando do ministério da saúde — insisto em relembrar que nós estamos com um interino desde o pedido voluntário de demissão do Teich —, levam-me a crer que o presidente não levou o caso tão a sério. O presidente agiu de modo revolucionário — uma observação à luz do conservadorismo Burkeano. O seu culto à liberdade abstrata, o modo como colocou o Estado como o vilão da liberdade, os governadores como carrascos do livre-arbítrio, ações de um verdadeiro “Jacobino”. Mas os Bolsonaristas ignoraram tudo isso; eles continuaram a enxergar em Bolsonaro um verdadeiro conservador, ou pior, alguém preocupado com o “povo” — coisa de criança.


Seus passeios extravagantes e supérfluos, sua negligência com relação ao uso de máscara, todos esses atos negacionistas transformaram o presidente num verdadeiro comediante. Parece-me que votamos num verdadeiro circense. O presidente fez do Brasil o seu palco para fantasias e atos comediantes, suas apresentações agradaram apenas os seus mais fanáticos eleitores. Frases como “não tem jeito, todo mundo vai pegar”, “a já citada gripezinha”, resfiadinho”, por fim, declarações que nenhum espírito sóbrio poderia defender. A negligência no enfrentamento à covid-19 ficou evidente e escancarada, isso não somente por parte do presidente. A OMS demorou para declarar o estado de calamidade, confundiu-se no que diz respeito ao uso das máscaras, entre outros atos. A China, como se sabe, censurou médicos que tentaram alertar sobre o potencial do vírus. No Brasil, além do presidente, tivemos governadores igualmente negligentes com relação ao enfrentamento da crise — a PF ainda apura os casos suspeitos em relação à compra de ventiladores. Um prefeito que promoveu um rodizio de veículos desastroso, o que culminou no aumento da busca por transportes públicos, provocando, do mesmo modo, aglomerações. Faltaria espaço para descrever todos esses atos desastrosos.


Este artigo não visa questionar ou atribuir culpa às instituições ou qualquer coisa nesse sentido, não. O fato é que a pandemia foi tão desastrosa e impiedosa, que destronou os deuses da verdade, a verdade absoluta, a capacidade humana, a pandemia mostrou-nos que nada somos diante deste vasto universo. Alguns agiram de modo errado, reconheceram isso e tentaram mudar, outros fingiram que tudo isso não existia. A verdade é que o vírus tornou-se algo político. Os gestores públicos ficaram temerosos em tomar decisões e medidas mais severas, não o medo com relação aos direitos dos indivíduos, mas o medo de perder apoio eleitoral, o medo de não ser reeleito, de ser lembrado como “o político que fez o lockdown”. Vacinas e medicamentos ganharam ideologia durante esse período pandêmico; a tolice e a paixão política tomaram conta de todo o cenário. Corruptos condenados, que sonham em recuperar uma glória que não lhes pertence, usaram a pandemia para tentar uma ascensão, e o máximo que conseguiram com isso foi a comparação com o presidente que ai está. Um presidente da câmara que diz ter feito o possível para ajudar no caso, mas que ignorou todos os pedidos para retirada do presidente.


Não estou a culpar nenhum agente específico, estou a dizer que, nessa história, não existem “inocentes”. O Brasil reagiu de modo ridículo à pandemia, nossos líderes mostraram-se verdadeiros incompetentes, espíritos que não estão a pensar em nada que não esteja ligado aos seus interesses singulares. Enquanto nove milhões têm salários cortados, políticos recebem antecipação do 13º; essa é a nossa classe política, esses são os senhores que estão “preocupados com o povo”. Estou enjoado com toda essa situação, estou a sentir repulsa desses espíritos mentirosos e pútridos, não são diferentes do presidente, são lenientes e covardes, são mentirosos e oportunistas, contribuíram em muito para essa crise, muito mais do que as suas mentes podem imaginar.


Depois de contemplar todo esse cenário, somente uma coisa me vem à mente: ninguém está a sofrer mais do que os cidadãos diretamente afetados, ninguém está a chorar mais do que esses espíritos desolados, ninguém sentiu mais do que aqueles que sentiram na pele o que é perder alguém que ama. E daí, disse o presidente, mas não somente ele, o silêncio disse muita coisa, a mentira disse muita coisa; e daí, disseram todos que contribuíram com os atos ignóbeis desses falsos gestores.


Por Renan Jorge

36 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Receba Nossos Artigos:

Os Conservadores © 2020