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Existe Doutrinação nas Escolas?

Atualizado: 18 de Jul de 2020

Escrito por: @_Conservador



Introdução


Muito se fala sobre a questão da doutrinação nas escolas, mas será que este tema é realmente relevante para o debate público? Por mais que este seja um tema relativamente tardio, me valho deste artigo para, de maneira clara e ao mesmo tempo omissa, contar-lhes a minha experiência dentro da Universidade Federal durante as ocupações (ou invasões) do ano de 2016. Vale ressaltar que o meu intuito no decorrer deste artigo não é o de denegrir a imagem da Universidade e, por este motivo, não citarei o nome específico da instituição e nem o nome de qualquer funcionário que seja.


Retrospectiva


O ano era 2016, o contexto político era desfavorável para imagem do Partido dos Trabalhadores e para a Esquerda Brasileira. Após o Impeachment de Dilma Rousseff, essa mesma Esquerda se encontrara enfraquecida em um cenário completamente caótico, com uma impopularidade dantesca, um sentimento anti-petista ferrenho e uma rejeição política quase que absoluta devido aos incidentes envolvendo as primeiras condenações do Lula, as primeiras denúncias do Mensalão e Petrolão, as prisões envolvendo as lideranças do PT e os discursos da Esquerda, em geral, caindo em descrédito e desgosto em relação à população brasileira.


No entanto, um fenômeno nada surpreendente ocorreu. Eis que grande parte dos professores universitários começaram a emplacar diversas narrativas para aliviar a barra dos governos petistas e escrachar toda e qualquer atitude do Governo Temer à época. Se as narrativa de que o Impeachment era Golpe tornava-se comum nos ambientes acadêmicos, as narrativas contrárias ao governo vigente se tornariam implacáveis e irrecusáveis perante seus mentores desde sua chegada ao Palácio do Planalto. As novas reformas do governo tornaram-se motivo de chacota. A recusa das propostas fora completa por parte dos estudantes. O ambiente plural e acadêmico tornara-se uma espécie de palanque anti-governo, comportamento este nunca antes visto durante os governos vigorados pelo PT. Inquestionabilidade fora o padrão adotado pelos estudantes diante dessa situação. O ceticismo parecia fugir de qualquer questionabilidade perante às posturas adotadas pelos professores. Uma imposição completa. Uma forma descabida e desnecessária de forçar um ambiente favorável apenas ao unipartidarismo.


Minha Experiência


Em 2016, já havia uma certa polarização política no debate público, porém, dentro do ambiente universitário, era quase que inexistente. Lembro-me muito bem que, durante uma aula de História, um(a) professor(a) mencionou o Projeto Escola Sem Partido o comparando com a censura imposta pelo Regime Militar. Ele(a) dizia que os dois se comparavam a tal ponto que o Escola Sem Partido, assim como na época da Ditadura Militar, permitiria uma fiscalização tão intensa que o governo seria responsável por colocar, na porta de cada sala de aula, uma espécie de fiscal que mediaria, portanto, toda e qualquer fala de cunho politico-partidária do professor, uma clara tentativa de criar um descaso com a proposta para jogá-la em descrédito perante à opinião dos alunos. Lembro-me inclusive este(a) mesmo(a) professor(a) dizia que a PEC do Teto fora colocada pelo governo Temer para limitar e reduzir os gastos em educação e saúde porque, aparentemente, este era um governo, diferentemente do Governo Petista, que não se importava com a saúde, educação e o bem-estar de seus cidadãos. Lembro-me até da fala infeliz de um(a) professor(a) que disse aos alunos que a Reforma do Ensino Médio daria ao sem-teto a condição de se tornar um professor acadêmico pelo seu "notório saber" sem qualquer formação intelectual.


Muitos desses absurdos me foram ditos, mas na época eu não conseguira identificá-los. Nós, alunos, éramos pouco afeitos aos debate políticos do dia a dia e mal acompanhávamos as muitas notícias em torno desses temas. Nunca lêramos nenhum artigo, nenhum projeto de lei, nenhuma matéria de jornal a respeito desses 3 temas. Éramos analfabetos em torno dessas questões e, portanto, presas fáceis para tornarem viáveis as lutas de um pequeno grupo de indivíduos movidos exclusivamente por pautas políticas. Vejam que, em nenhum momento eu coloco TODOS os professores nas minhas indignações, tratam-se de alguns professores que, através de uma alegoria "anti-elitista", "anti-sistema", anti-establishment" e "anti-classe-política", usavam suas críticas mentirosas e infundadas para legitimarem os alunos a lutarem pelas suas causas, travestindo-se de "bons-mocistas" e defensores da educação "pública e de qualidade."


Acontecimentos


Como de costume, em minha escola sempre houveram muitas palestras. Muitos professores citavam-as com exemplos de discussão e Democracia. Durante essa época, nenhuma, em meio a tantas palestras, possuíram alguma defesa do ponto de vista contrário à maioria. Todas elas foram, de alguma forma, concedidas por professores dentro da Universidade que repudiavam completamente todas as reformas do Governo-Temer. Lembro-me, nesse sentido, de muitas situações em que cartazes cuja mensagem "FORA TEMER!" estiveram presente e, contudo, lembro-me que não houvera nenhuma palavra dos professores para desvincularem as manifestações "legítimas" a qualquer indício de manifestação política. Quanto a isso, também fui, juntamente de meus colegas, convidados a visitarem as ditas "ocupações" que impediam os estudantes de estudarem, independente de sua boa intenção. Alegavam uma espécie de plebiscito que fizeram entre os próprios alunos para decidirem se haveriam as ditas "ocupações" ou não, como se isso fosse constitucional (como de fato não é, afinal, não existe greve de estudante). De fato querido estudante, a assembleia de vocês não valem mais do que a lei.


Houveram outros acontecimentos realmente interessantes nesse sentido, acontecimentos estes bastante nocivos até, das noções que eu tenho da consolidação das relações entre professor e aluno. Dessa forma, da maneira como eu entendo, o professor deveria ser o um mestre, aquele que transmite o conhecimento necessário ao aluno para que ele consiga enxergar alguma independência (do ponto de vista de pensamento) na medida em que ele aprende o máximo de conteúdos possíveis acerca daquela matéria, de fato, com alguma imparcialidade ou ainda que com alguma pluralidade.


Não foi esse o relacionamento que se manteve presente no caso dessas manifestações. Alguns professores realizaram palestras em que eles mesmos incentivavam os alunos a não lerem os projetos porque eles seriam incapazes de entender o vocabulário e a linguagem burocrática características desses projetos de lei e que portanto seria melhor que eles ouvissem seus queridos professores. Soa um tanto Orwelliana essa história.

Alguns desses professores ainda, de maneira descarada, realizavam gincanas obrigando os alunos a demonstrarem suas posições quanto aos projetos de lei: basicamente, os alunos contrários deveriam se dirigir à esquerda e os alunos favoráveis à direita. Eu fico me perguntando quem ousaria confrontar essa tirania de especialistas, quem ousaria se contrapor e contra-argumentar com os professores e com todos os alunos contrários aos PL's.


Meu Aprendizado


Eu sinto muito pesar e uma tristeza imensa quando me refiro à Universidade Federal. No ambiente de discussões, vejo que, infelizmente, há uma certa repulsa ao pensamento e às ideias políticas que são contraditórias à essa maioria ideológica que existe, seja dentro ou fora da sala de aula. É um ambiente hostil, deve-se ter muito cuidado ao expressar-se com mais afinco num eventual debate entre "Indivíduo x Maioria." Os insultos e as intimidações podem, às vezes, destruir o seu ponto de vista, ainda que bem intencionado, e que, muitas vezes pode ser até racional e muito cético em relação aos pontos dessa referida maioria.


Mas mesmo pertencendo a esse grupo quase que inalterável, ideologicamente, contudo eu aprendi a tolerar melhor os meus adversário políticos, passei a entender os seus pontos, passei a visualizar melhor o seu comportamento e o seu modus operandi. Foram através desses ambientes que os meus valores foram consolidados até se tornarem o que são hoje, alguns foram alterados, outros se mantêm e/ou foram fortificados. E eu vejo que é isso que falta aos meus opositores: divergência, ideias contrárias, pensamentos conflituosos, colocar seus valores à mostra. E isso, claro, se torna nítido quando por exemplo o vloggeiro Arthur do Val foi até à Universidade que eu então estudava para perguntar aos estudantes o que eles pensavam à respeito de alguns estudantes impedirem o direito de outros de estudarem. É isso que lhes faltam, questionamentos!

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