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Como Garantir que não se Está a Defender Cegamente um Político?

Atualizado: 29 de Jul de 2020



Em política, quase sempre as discussões são cansativas. Vê-se muita paixão e euforia. Uma das acusações mais frequentes? Acusar um lado de idólatra. A frase atribuída a Lênin "acuse-os do que você faz, chame-os do que você é", costuma ser empregada quase sempre. No entanto, para não ser injusto com nenhum lado, faz-se necessário uma investigação: como identificar um idólatra? Como validar uma crítica a esse respeito?

Em primeiro lugar, cabe informar-lhe, caro leitor(a), que nenhum grupo está imaculado com relação a esse respeito: seria uma utopia. O grande problema do culto aos políticos é quando este é feito de modo massivo, quando está a furtar o espírito das massas: isso é completamente perigoso. Devo admitir que há, nesse exemplo que vos citei, uma repulsa de minha parte por duas coisas: o populismo e a idolatria em si. E é precisamente um dos fatores que colocaria para identificação: o populismo.

O populismo é um dos elementos mais utilizados em política. Trata-se do hábito de dizer às massas: sou como vocês, e todos ficam surpresos ao saber disso. Nunca entendi bem o populismo, pois, no final das contas, o político não está a dizer nada extraordinário, mas uma obviedade. É claro que ele é “gente como a gente”, ele é humano e, portanto imperfeito. Contudo, destacar tal natureza como uma virtude é uma retórica que lhes cai bem, e as massas sentem-se excitadas com tal demonstração de “humildade”. Por que isso funciona? Talvez essa ideia de nós contra eles, ricos contra os pobres, o fim do cavalheirismo que Burke tanto alertou à posteridade sobre seus efeitos catastróficos, noutras palavras, o ideário marxista parece ser o grande responsável. Aliás, o Brasil é um tanto difuso nesse sentido: dizemos que a grande maioria é conservadora, mas votou em um governo socialista por cerca de 16 anos. Enfim, todo o movimento massivo incomoda-me por si só, mas nem todo movimento é necessariamente maléfico ou prejudicial. Tratando-se de política, eu alerto: cuidado — o populismo é um sinal de que há idolatria.


Ausência de crítica


Outro elemento que compõe essa adoração incondicional é, sem dúvida, a ausência de crítica. Nenhum movimento, nenhum grupo, nenhum político — e especialmente este último — goza de perfeição. Deste modo, é um fato muito curioso encontrar indivíduos que não conseguem tecer uma crítica sequer — ou que não estão receosos sobre algo. O início da utopia e da idolatria começa por simples atos — ou pela ausência de atos desejados. Claro, alguns acham justo criticar apenas sob domínio de provas ou evidências muito contundentes — eu me encaixo neste grupo. Mas um bom receio também é bem-vindo, um alerta. Por fim, se não observas nada a criticar em um humano — de natureza imperfeita — o problema não está somente nele.


O assassinato de reputação


Outro grande fator é o famoso assassinato de reputação, ou seja, tentar destruir a todo custo os “inimigos”. O conservador, por exemplo, é um indivíduo reativo: normalmente ele está a criticar quando identifica uma ameaça — basicamente um gesto primitivo. Agora, há indivíduos que estão a criticar ou a falar de coisas banais: roupas, sapatos, cabelo, etc. Claro, neste exemplo não estou a falar de nada simbólico — alusão ao nazismo, por exemplo; estou a falar de fatos concretos: criticar um indivíduo apenas por algo trivial, isto não é muito saudável. É um sinal realmente preocupante, provém de um sentimento de insatisfação e da pura vontade de dizer por dizer, criticar por criticar, falar por falar, isso não é normal.


O ciúme crítico

Este também é um dos fatores mais predominantes no ato idólatra: a ideia de que aquele político é minha propriedade e, portanto, somente eu posso criticá-lo. Todos têm o direito à liberdade de expressão, todos podem tecer críticas àqueles que são dignos — isso não pode ser cerceado. No ideário de um idólatra, toda crítica é necessariamente um insulto ao ídolo, ao herói, isso é perigoso. Claro, caso haja na crítica um exagero capcioso, todos têm o direito de apontar isto também — como disse, não podemos incorrer em injustiça. Agora, quando há uma crítica saudável, mas você não consegue aceitar que ela parta de um grupo oposto — apenas por ser oposto — certamente há algo de errado: com você


A crítica por interesse.

Outro ato muito reconhecido num idólatra é a crítica por interesse: criticar os ministros, deputados e outros políticos, quando lhe convém, mas, quando estes cometem excessos com relação aos outros — aliados ou não —aplaudir, adorar, comemorar. O grande problema neste gesto não é somente a hipocrisia, mas o interesse por trás dela: promover sua ideologia ou o seu político. Espíritos que praticam estes atos estão contaminados com a ideologia, estão corrompidos pela utopia que ela prega: nada mais são do que servos do que acreditam.


Provavelmente há outros atos que ajudam a identificar um idólatra, mas creio que não deixei escapar os mais importantes — pelo menos, no Brasil. Não há nenhuma solução para tais atos, pessoas com esse tipo de comportamento existiram, existem e continuarão existindo: não há muito que fazer. Talvez seja possível diminuir essa quantidade, legando tradições mais benéficas à posteridade — isso já seria bom o bastante. De todo modo, em meio ao caos político, um alerta prudente é necessário: cuidado.


Por Renan Jorge

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