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Conservadorismo & Religião: a Instituição mais Ameaçada

Atualizado: 5 de Ago de 2020



A revolução Francesa foi um dos maiores processos disruptivos com a religião. Desde então, busca-se, massivamente, destruir os princípios religiosos do seio social. No Brasil, há um movimento cultural que trabalha arduamente para alcançar esse objetivo. Guiados por ideais de liberdade que, desde a revolução já citada e até mesmo os escritos de Marx, esses espíritos procuram emancipar a sociedade de seu ópio — para usar uma expressão Marxista. Contudo, esse processo é, de fato, desejável? Por que os conservadores defenderam e defendem a religião?


Marx, em sua obra de maior expressão "O Manifesto Comunista", chegou mesmo a dizer que a burguesia "substituiu a exploração disfarçada sob ilusões religiosas e políticas pela exploração aberta, direta e brutal". Além disso, de acordo com esse mesmo ensaio, Marx chegou a dizer que, para o proletariado, "a religião não passava de um mero preconceito burguês, por intermédio do qual se camuflam outros tantos interesses burgueses". Não é à toa que o comunismo, como disse o próprio Marx, "abole a religião e a moral, em vez de lhes conferir nova forma". A ideia é clara: não seguir os desenvolvimentos históricos ocorridos até hoje.


A crítica de Marx — embora não tenha partido de uma leitura completamente errada, historicamente —, está a desconsiderar algo relacionado à natureza humana: a crença. Tocqueville foi um dos pioneiros nessa observação:


"As crenças dogmáticas são mais ou menos numerosas, conforme os tempos. Elas nascem de diferentes maneiras e podem mudar de forma e de objeto; mas não há como fazer que não existam crenças dogmáticas, isto é, opiniões que os homens recebem em confiança e sem discutir".


Esse foi, a meu ver, um dos primeiros erros de Marx, e é um dos erros dos modernistas e destruidores da religião atualmente: olhar para religião numa perspectiva política apenas. Marx entendia que a religião estava a serviço da burguesia, como já podemos observar nos trechos listados. O segundo erro de Marx, a meu ver, foi falar em nome do "proletariado", quando ele mesmo gozava de recursos burgueses, ou seja, ele estava a falar em nome de uma classe da qual ele mesmo não fazia parte. Como considerá-lo virtuoso?


Burke fez uma leitura bem mais apurada — apesar de levar em consideração os períodos distintos. Contudo, no mesmo ensaio do manifesto, Marx fez sua leitura da idade média e do feudalismo, aliás, Marx aprofundou-se nessa construção histórica. A leitura de Burke, diferente de Marx, discorre sobre o preconceito como algo dotado das relações humanas, não como uma imposição de uma classe sobre a outra — aqui o preconceito não pode ser lido como algo pejorativo, mas como conhecimento herdado das relações empíricas. Nas palavras de Burke:


"Nós sabemos e, o que é melhor, sentimos interiormente que a religião é a base da sociedade civil e a fonte de todo o bem e de toda a felicidade".


O próprio Burke chegou a dizer que o "homem é um animal religioso". Em defesa dessa "natureza" ele chegou a dizer:


"Por essa razão, antes de tirarmos de nosso estabelecimento religioso os meios naturais que têm os homens de se fazer estimar, e de abandoná-lo ao desprezo, como os franceses o fizeram - incorrendo, assim, em castigos bem merecidos - desejamos que algum outro possa ser mostrado no lugar dele".


A ideia, portanto, não é somente defender os princípios religiosos por um ideal abstrato; a ideia parte de uma preocupação com relação à sociedade: o que será colocado no lugar?

Destruir esses princípios, que fazem parte da natureza social, é como destruir parte de sua alma.


Talvez você, estimado(a) leitor(a), considere-me suspeito a falar sobre esse assunto, já que, como afirmei em um ensaio ou outro, sou cristão. Contudo, a minha defesa com relação à religião parte, antes de tudo, do mesmo princípio do Conservadorismo Burkeano: faz parte de nossa natureza, ou melhor, nossa segunda natureza — aqui estou a falar do homem social.


Não quero algo aos moldes do antigo regime: um Estado e religião unificados; desejo apenas que a religião possa seguir o seu curso em paz, desejo que o erro por parte de alguns membros não contamine, como fazem os maus espíritos, o todo.


Só uma leitura errônea e descuidada para dizer que o Brasil, historicamente, não possui princípios religiosos em seu espírito. Há um equívoco em considerar o trabalho dos jesuítas como algo opressor e maquiavélico. A religião não limita-se aos erros de alguns, ela está muito além. O Soberano — ele próprio um filósofo iluminista, autor do texto político Refutação do príncipe Maquiavel — defendia que o dever do rei era servir ao seu Estado e, embora não fosse apegado à religião, avaliou o seu aspecto útil, já que a considerava uma fonte de solidariedade e obediência.


Esses descuidados senhores estão a pensar que o mundo de "imagine" — canção de John Lennon — é possível. Não é, basta limitar sua vocação à arte. Utopias como esta promoveram mudanças radicais que, além de não surtir o efeito desejável, mataram em nome de um bem maior — apresentando-se como iguais ao que juraram combater.


Transformistas estão a pensar dessa forma o tempo todo: a emancipação do homem, uma forma de depositar a igreja no altar dos opressores. Dentro da ética — imprescindível à sociedade — , o próprio cristianismo teve sua contribuição com um dos mais sagrados ensinamentos de Cristo:


"Ame a teu próximo como a ti mesmo".


A bíblia não está a pregar somente o amor — reconheço — , mas é incabível destruir todo o seu legado, todos os seus princípios, e, queiram os utópicos assumir ou não, ela faz parte de uma cultura ocidental. Esses senhores estão motivados apenas por uma ambição utópica, fantasiosa e milagrosa da humanidade. Ninguém deve ser impedido de manifestar sua crença, como está a ocorrer na China, por exemplo. Ninguém, como previa o abjeto plano Marxista, deve ter sua religião e crença destruída por um teórico de gabinete, por um espírito desrespeitoso que, antes de mesmo de vir a este mundo, sequer sonhava com algo anterior à sua existência.


As utopias não perdoam, elas destroem.


Por Renan Jorge

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