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Cuba, o Paraíso dos Hipócritas

Escrito por: @_Conservador



Introdução


Existem certas discussões que nunca têm prazo de validade, discussões estas que se prestam a definir e moldar alguns de nossos princípios mais políticos. É natural que pensemos a respeito destas questões, em parte, como políticas identitárias, que moldam nossa formação ideológica. Não me refiro às políticas identitárias proferidas de maneira muitas vezes injuriosa pela esquerda, mas sim às políticas e aos temas que pautam a nossa opinião acerca do debate público que tanto se faz presente no cotidiano. Um desses assuntos é a suposta democracia-cubana: Para alguns, o termo é válido para justificar o pressuposto de que Cuba sempre foi um espaço aberto à pluralidade e que, apesar disso, sempre foi vítima de propaganda enganosa (e porque não até caluniosa) por parte de seus opositores que sempre a taxaram de regime-ditatorial. Para outros, o termo trata-se de uma antítese já que as palavras "democracia" e "cubana" nem sempre andaram juntas ainda mais perante o regime de cunho socialista que se fez presente na ilha a partir da Revolução Cubana (1953 -1959).


Esse debate, que ocorre desde as décadas passadas, recentemente tomou conta dos Trending Topics do Twitter acerca de um acontecimento envolvendo a entrevista do Roda Viva em que o humorista Marcelo Adnet e o apresentador Marcelo Tas digladiaram-se a respeito de um assunto, ao meu ver, um pouco mais complexo, que envolve o tema "se há ou não há humoristas em Cuba."


Cuba é uma Democracia?


É interessante notar que apesar de os programas do Roda Viva sob o comando da então apresentadora Vera Magalhães serem dotados de um certo clamor popular e com entrevistas até memoráveis envolvendo os pensadores da "nova esquerda pós-moderna", no entanto eu percebo que alguns dos entrevistados ainda se mantêm reféns destes jargões um tanto quanto ultrapassados para se manterem na linha e não serem linchados por parte de seus seguidores. Quando muitas vezes indagados a respeito das pautas mais conflitantes da esquerda, inclusive o fato de Cuba ser uma ditadura, percebe-se que a tomada de raciocínio por parte destes cidadãos se dá através de um deslizamento verbal, ou então de uma generalização qualquer visando um culpado, tática esta, muitas vezes, imbuída pela Luta de Classes, de origem marxista.


Apesar de Adnet não ter, no jargão popular, passado pano para a ditadura cubana, entretanto muitos de seus seguidores, ferrenhos defensores da ditadura socialista e travestidos de pseudocubanos, começaram a tratar o assunto de maneira a acobertar os maiores problemas envolvendo as liberdades individuais dentro do regime cubano, dentre eles Gregório Duvivier que vergonhosamente defendeu a suposta "liberdade de ofensa" existente em Cuba. Para um participante do Porta dos Fundos, Gregório, o comediante independente que satiriza os cristão e paga pedágio às feministas, se fosse habitante da ilha de Cuba, certamente pediria perdão de joelhos ao ofender o seu então Presidente Raúl Castro por ofender a sua honra. Resta saber, no entanto, se ao invés de receber uma chuva de deslikes e uma nota de repúdio do movimento feminista, o senhor Gregório mesmo se submetendo ao ditador da maneira mais submissa e humilhante possível, gostaria de receber, por descaso à autoridade ou suposto crime de injúria ou difamação, um decreto de prisão sumária (sem direito a julgamento) em uma cela comum simplesmente por ter ofendido a honra do seu presidente tão cordial a tão cordato a respeito do trabalho dos humoristas.



A pergunta que eu faço ao humorista é muito simples: "existe em Cuba um humorista que, descreditado e repudiado pela família Castro, consiga tecer críticas pesadas ao regime cubano e ainda sim, no seu pleno direito de ir e vir, conseguir realizar os seus shows criticando o governo vigente em tom satírico e humorístico?"


Em recente notícia, o Yahoo constatou os 5 comediantes cubanos que fazem shows no país e não sofrem retaliação e censura. Eu acho engraçado que dentre esses 5 humoristas, 1 deles (Luis Silva, o Pánfilo) é apresentado como aquele responsável "por trazer reflexões sobre as condições sociais do país em suas sátiras." O interessante deste cidadão é que a família Castro o prestigia, havendo até boatos de que Fidel assistia os seus shows de humor, mas será que se ele não obtivesse a simpatia dos Castros a história teria sido diferente? Acho esta resposta bem óbvia. Malgrado o comediante credenciado pelo governo, o portal Yahoo ainda cita um outro artista chamado Robertico Riverón que se apresenta, ironicamente, no teatro Karl Marx. Realmente, esta dita "democracia" é dotada de liberdades e pluralismo de ideias.



Por que não Existe Liberdade em Cuba?


Responder a esta pergunta exige um certo cuidado, afinal em Cuba existem comediantes e certas liberdades que podem exercidas não só pelos seus cidadãos, mas principalmente pelos seus turistas que em grande parte colaboram com a economia do país. No livro "Capitalismo e Liberdade", Milton Friedman discorre a respeito do teor democrático que existe entre as relações tanto econômicas (do ponto de vista da liberdade econômica), quanto políticas (do ponto de vista da liberdade individual). Existe, no entanto, um dilema estabelecido por Friedman que elucida muito bem essas duas questões: suponhamos que um grupo de comediantes resolva abrir um estabelecimento unicamente dedicado à fazer piadas com teor crítico a respeito do governo vigente, no caso o governo da família Castro. Esta empresa, adstringindo-se de qualquer meio violento ou coercitivo por parte de seus integrantes, deseja criar shows de humor para que, através do seu público pagante, consiga ter as condições necessárias para capitalizar este ensejo para assim prover alguma renda para o seu negócio. É natural perceber que há uma certa legitimidade naquilo que está sendo proposto, porém, para que isto seja realizado, é necessário que existam certos preceitos frente a sociedade que possibilitem as condições necessárias para que esses indivíduos ganhem dinheiro contando piadas, estes preceitos, curiosamente, chamam-se capitalismo e liberdade, ou seja, para que se compre aquilo que se deseja é necessário, primeiramente, a liberdade de poder adquirir este serviço.


Mas o que acontece se um desses preceitos forem rompidos? É simples, tem-se a redução das liberdades. É o caso do regime cubano. Se este mesmo grupo de indivíduos dedicassem as suas vidas a ridicularizarem o regime cubano capitalizando em cima disto, o regime os reprimiria, os perseguiria e os martirizaria porque não tolera quem pensa diferente porque como dizia Friedman:


"Uma das características de uma sociedade livre é certamente a liberdade dos indivíduos de desejar propor abertamente uma mudança radical na estrutura da sociedade [...] 'tendo como fundamento' essencial o custo de propor causas impopulares seja tolerável e não proibitivo."
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