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De um ditador para outro...


A "compaixão e a misericórdia" de um ditador, esse é o sinal de que as coisas estão ruins o bastante. Uma narrativa literária? Uma produção cinematográfica? Não, apenas mais um dia no Brasil.


Se esta narrativa está a aturdir a mente dos mais assíduos leitores, com o toque amargo da realidade, não parece incomodar os personagens responsáveis, que, trocando de máscaras e alterando os papéis, estão a dizer que a culpa é de outra persona. Um fim previsível?


Os que estavam a louvar a liberdade abstrata, felicitando qualquer ato de rebeldia como símbolo de emancipação, agora estão a chamar o ocorrido em Manaus de "tragédia". Este parece ser o típico caso de alguém muito egoísta: que incita o problema, e vende a solução.


Mas a vergonha não deixaria o seus lares tão cedo.


Se já não fosse o bastante — para o presidente — ver os chamados "lacradores" ajudando na situação caótica em Manaus, o mundo inteiro vislumbrou o gesto do ditador Nicolás Maduro, que para alimentar a própria glória — o que, sinceramente, não interessa aos que estão a sofrer — decidiu enviar oxigênio aos hospitais de Manaus


O grande gesto do presidente — expressão irônica aos que não entendem — foi enviar o brilhante ministro Pazuello — o interino mais duradouro de todos os tempos. Um paradoxo?


Mas o ministro, que furtou-se de qualquer gesto de humildade, apenas decidiu culpar o clima e a falta de tratamento precoce pelo que ocorreu em Manaus.

Resta-nos saber, se o suprassumo da inteligência permitir, se disse as pessoas que o oxigênio chegaria no dia D, da hora H, ou se entendia toda aquela situação como uma "demanda", já que costuma impor regras óbvias para situações críticas.


Se o presidente pretendia, contratando o ministro e mantendo-se no cargo de chefe do Estado, ganhar o prêmio de comediante, ele provavelmente teria mais chances. Agora, se pretendia ser um presidente técnico, cercado de ministros técnicos, está tão perto do feito como estamos de voltar à idade média.


Para finalizar o dia — quando todos perdiam as esperanças — o senhor Rodrigo Maia, em tempo oportuno, decidiu lançar mais uma de suas incontáveis notas de repúdio. Não sabemos, porém, se ele o fez sentado sobre os diversos pedidos de impeachment que está a guardar, ou, já que não pretende agir, se fez uso mais oportuno dos papéis, limpando locais, dos quais a minha mente — ainda bem — não permite-me imaginar.


Conclusão sobre esse dia dantesco? Uma linha tênue separa os extremos de uma competição indesejada — razão e loucura nunca estiveram tão aparentes. O caso não trata-se mais da direita, da esquerda, de ideologia x, de ideologia y, trata-se de fazer o certo, trata-se de recorrer ao espírito humano. Quem ainda é conivente com tudo isso, abriu mão do próprio espírito, da própria consciência.


Por Renan Jorge

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