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Death Note: o Poder Corrompe o Homem?



A corrupção da natureza humana é um dos fenômenos mais abordados em todos os gêneros literários possíveis. Encontramos esse evento na teologia, na literatura, na mitologia, na filosofia, na poesia... Na política? Quase todos os dias. "Os expurgadores", no afã de promoverem uma mudança radical no mundo, são comumente objeto de observação para diversas tragédias, fato que ocorreu, por exemplo, em Death Note. A proposta? Um caderno da morte, que, fiel ao termo, pode por fim à vida de qualquer pessoa pela mera transcrição do nome em suas páginas funestas.


Se você pensou algo como "poderíamos matar todos os criminosos, corruptos e malfeitores, você provavelmente concordará com o personagem Light Yagami, um jovem brilhante que depare-se com o caderno e passa a usá-lo para esse propósito. Porém, se você acredita que é muito poder nas mãos de um homem, você identifica-se com (L), um detetive que promete por fim ao legado de terror de Kira (Light Yagami).


No começo, Light Yagami empenhou-se nesse propósito de fazer do mundo um "lugar melhor", livre de tudo o que estava, em sua visão, podre. Alguns presidiários aqui, outros ali, e Light Yagami (Kira), graças ao poder conferido pelo caderno, acreditava ser o "deus do novo mundo". Só existe um problema para esse personagem, comum a todo tirano: contrariá-lo. Quando o FBI e a polícia passaram a interferir no seu plano de emancipação, ele passou a abrir algumas exceções em relação àqueles que deveriam morrer, pois eles estavam, a seu ver, interferindo na criação de seu "novo mundo". Portanto, aquele jovem estudante promissor, que visava apenas os estudos e ajustes em seu meio social, tornou-se um tirano imparável e perigoso. Na trama, o detive (L), cuja identidade só foi revelada ao Kira — e vice-versa — depois de alguns eventos importantes, passa a lograr êxito em algumas observações — nada óbvias — sobre Ligth. O que ocorre com os personagens? Para aguçar sua curiosidade, querido leitor, não pretendo contar.


Light Yagami, como tantos, é apenas uma personificação de tirânicos incontroláveis, cujo o desejo de mudar radicalmente seu ambiente acaba promovendo maior destruição do que já existia. Destruiria todos os assassinos do mundo, restando apenas um: ele. O poder corrompe o homem? Desde sempre.


Tudo começa por observar a vontade popular, o desejo das massas, o sintoma do mundo: o ódio. Depois disso, não é preciso muito esforço, basta ascender algumas velas para causar um verdadeiro incêndio. Como não pode ser desafiado, a polícia, a justiça, a lei, a ordem e, por último, a moral, todos os nortes reguladores de comportamento possíveis tornam-se apenas fruto da paranoia de um "condenado inocente". "É ilegal, mas não significa que não se pode fazer", "é por um bem maior", "sei o que é melhor para todos nós", "sou o único que tem coragem de fazer o que precisa ser feito": o prefácio de uma tragédia.


Não importa qual tipo de poder: divino ou político, simbólico ou objetivo, o homem é incapaz de domar os próprios vícios, eis o grande problema. Evidentemente, eles não chegam sozinhos: carros, massas, manifestações, cartazes, panfletos, todo tipo de projeção possível, todo símbolo possível, todo gesto de aceitação incondicional: "tudo bem acreditar". No fim, todos eles conhecem o mesmo fim com o qual condenaram seus irmãos, porque ao homem é facultada a capacidade de escolher, de optar, de agir, como virtuoso e como covarde — mas eles estão em cerimônia com suas virtudes, e em noite de núpcias com seu pecados.


Death Note, o caderno da morte; homem, maldito homem, que deleita-se com tudo o que o tempo costuma tragar. Se vestem ternos e faixas presidenciais, se vestem farrapos e trapos, o que importa? O homem é, foi e sempre será o lobo do homem. Quem acredita que o homem não deve ser contido, mesmo diante de todos os exemplos, não se deu conta de sua própria transformação. Por Renan Jorge

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