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Existe Divisão no Movimento Monárquico?

Atualizado: Jan 13

Escrito por: Iago Dumont



Você sendo Monarquista ou não, é visível como o movimento que pede a restauração do Império tem crescido nos últimos anos, principalmente com o advento das redes sociais. Desde a aparição dos príncipes (principalmente de Dom Bertrand, porta-voz da Casa Imperial Brasileira) em programas e palestras, até o ativismo feito por diversos perfis e páginas nas redes sociais, sem contar os diversos grupos Monarquistas em plataformas como o WhatsApp. Também é possível de se perceber que a mídia, quando raramente fala do monarquismo no Brasil, fala com tom de desprezo e chacota.

Tendo em vista o crescimento desse movimento, e o fato de todo o establishment brasileiro ou ignora-lo, ou ridicularizá-lo, é possível pensarmos que, internamente, os membros desse movimento preservem um sentimento de grande União entre si, seguindo o princípio de "juntos somos mais fortes", certo? Nem tanto.

Pra quem observa o movimento monarquista de dentro a pelo menos 1 ano, percebe-se que junto do crescimento, também veio uma grande carga de discordância entre os ativistas do movimento. Hoje, de uma forma bem resumida, podemos simplificar as áreas desse movimento da seguinte forma:

1. Os Conservadores/Liberais.


São os direitistas clássicos e costumam ser moderados.


2. Os Tradicionalistas.


Normalmente vistos como os mais radicais/reacionários, defendem uma Monarquia onde o monarca tem a chefia tanto do Governo quanto do Estado (assim como o Presidente no Presidencialismo) e defendem um Estado confessional Católico. Muitos deles são contra a democracia e apoiam um regime aristocrático.


3. Os Bolsonaristas/Olavistas


Normalmente costumam misturar a monarquia com a política (sendo que, na teoria, a monarquia é um regime marcado pelo suprapartidarismo). Costumam defender que o movimento é de direita, a monarquia é de direita, e não se incomodam em casos onde Príncipe(s) e/ou a Casa Imperial da sinais de opinião pessoal.


4. Os Sociais-Democratas

São pessoas de esquerda, normalmente mais moderadas no seu esquerdismo, que defendem a monarquia, indo na onda contrária a praticamente todo o esquerdismo brasileiro. Podem ser caracterizados como a minoria do movimento e que não possui tanto expressividade assim, sendo principalmente representados pela "Social Democracia Imperial".


5. Petropolitanos

Apoiadores do Ramo de Petrópolis (o ramo secundário da Família Imperial Brasileira), muitas vezes por questão de insatisfação com o ramo principal, o de Vassouras.


E recentemente, mútuo por efeito desses debates internos, tem surgido uma nova camada, onde os membros tem um pouco de tudo, mas se identificam em um sentimento:


6. Os Revoltados


Eles são bem críticos quanto ao(s) príncipe(s) e sua(s) fala(s), sendo muito deles também críticos a postura da Pró Monarquia (também conhecida como Secretariado dos Príncipes, que age como coordenadora do movimento, porém sem grande centralização). Muitos deles reclamam que a família imperial (seja por meio de seus membros ou da Pró Monarquia) tem ferido a posição neutra e apartidária que deveriam ter, e outros acusam a Pró Monarquia de bloquear perfis com pensamentos diferentes (mesmo sendo Monarquistas).



Os debates internos entre esses diversas camadas são principalmente sobre:
  1. - A não aceitação de certas vertentes dentro do movimento

  2. - A posição que os Príncipes e/ou a Pró Monarquia estão (ou deveriam estar) tomando

  3. - A neutralidade que o movimento deve (ou não) ter.


Um desses ativistas (que acabou de entrar para a camada dos revoltosos) redigiu um manifesto e um abaixo assinado de consternação, feito logo após o pronunciamento de Dom Antônio (abaixo de Dom Bertrand na linha sucessória) feito em 27/11/2020, que revoltou muitos Monarquistas. O manifesto e o abaixo assinado criticam o disposto partidarismo e Tradicionalismo da Casa Imperial, unindo diversos pontos que geram a insatisfação de muitos Monarquistas hoje. Fizemos um bate bola rápido com ele.

Pergunta


- Você pretende mudar a direção que o movimento monarquista tem e o tom das declarações dos príncipes com o manifesto e o abaixo assinado?


Resposta


- Pretendo alertar Suas Altezas quanto a insatisfação de alas moderadas do movimento, para que repensem declarações e atitudes.


Pergunta


- Se nada mudar, como você acha que será o desempenho do movimento ao passar dos anos. Você acha que haverá um declínio?


Resposta


- Creio que haverá, cada vez mais, um êxodo de moderados e uma ascensão de radicais, o que matará o movimento.



A União Imperial Brasileira, um movimento que visa ser referência na militância virtual e na fabricação de conteúdos, também está fazendo um abaixo assinado, entre as lideranças Monarquistas, pedindo para que a Casa Imperial indique alguém (que não seja necessariamente vinculado ao Secretariado dos Príncipes) para ser uma espécie de "ponte comunicativa" entre os ativistas Monarquistas e a Família Imperial. Também conseguimos um bate-bola com o Chanceler da União Imperial Brasileira.

Pergunta


- Como você avalia a necessidade dessa "ponte comunicativa", e você acha que isto vai conseguir melhorar a coordenação do movimento?


Resposta


- Como eu sempre costumo dizer "ou a gente se ajuda, ou a gente se atrapalha" - a insatisfação é notável, há brigas entre alguns, então, a proposta da UIB é ajudar a construir pontes, e não muros, sempre com muita diplomacia.


Pergunta


- Como está o nível de satisfação das lideranças Monarquistas com a Pró Monarquia, as lideranças também tem as mesmas insatisfações que uma boa parte dos ativistas estão tendo?


Resposta


- Percebemos 3 tipos: aqueles que fazem parte, frequentam ou tem contatos no secretariado e sempre vão dizer que está bom. Aqueles que tem medo de contrariar ou acham que contrariar não terá resultado. E aqueles que assinaram dizendo que sim, precisamos tratar desse assunto, pois não está bom. Este último ponto é bem notado: há secretário que, mesmo sem conhecer o cidadão que lhe vem tirar dúvida, é ríspido e acaba por demonstrar incapacidade de gerência pelo simples fatos de fazer julgamentos segundo outrem, e não numa perspectiva coletiva.


Com tudo isso, da pra se ter uma noção resumida da situação interna atual do movimento monarquista brasileiro. Como todo movimento não centralizador em ascensão, ele ainda vai enfrentar muitas discussões internas, e talvez até alguns tombos, mas talvez a palavra "divisão" ainda seja forte demais para caracteriza-lo atualmente.

Mas afinal, qual será o futuro desse movimento? Bom, estamos aqui pra esperar o destino nos dizer.


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