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Independência para quem?

Atualizado: Set 8



D.Pedro, às margens do riacho Ipiranga, nos arrabaldes da capital paulista – hoje um bairro da grande metrópole industrial do Brasil tira o tope português de seu chapéu e brada:

É tempo. Independência ou morte.


Foi desta forma que o grande escritor e historiador João Camilo de Oliveira Torres descreveu, em seu precioso ensaio história do império, o tão famoso grito do Ipiranga. Comemora-se, hoje, no Brasil, a proclamação da independência de nossa nação em relação à Portugal. Aqui não cabe ressaltar e relembrar todos os fatores que eliciaram tal conduta, sobretudo porque, no ensaio já relatado, o próprio autor encarregou-se de fazer isto. É, portanto, uma forma de incentivar a leitura desta verdadeira obra, especialmente para os mais jovens.


Num cenário como o nosso, onde diversas pessoas relatam um sentimento de prisão em relação à classe política, cabe um questionamento: independência para quem? Ficamos, no dia 07 de setembro de 1822, livres do Império português, mas, teoricamente, nem tão livres assim, pois apesar da suposta emancipação, mantivemos um líder português, coisa que não ocorreu em países vizinhos. Seria, portanto, historicamente, o espírito de prisão o nosso legado, a ilusão de ver-se livre quando, na verdade, se está dominado?

Poder-se-á dizer que sim, que o Brasileiro deseja, cada vez mais, ver-se livre de todas as amarras possíveis, especialmente quando se está a falar em líderes indignos. Mas o que essa suposta independência propõe? Um governo para nós mesmos, ou uma liberdade absoluta? De qualquer modo, vê-se um grande movimento em prol dessa emancipação, mas um grande apelo ao Estado e aos seus benefícios, de modo a comprar facilmente qualquer espírito desesperado. Contudo, o fato é que as instituições benéficas e uteis devem existir para garantia da ordem, da segurança e da paz, como o próprio Adam Smith admitiu num de seus enunciados.


Talvez essa “liberdade” tenha como consequência abrir mão do seu próprio absolutismo, e confiando nossa liberdade às instituições, podemos garantir que essa liberdade está segura das injustiças de nossos irmãos, como o próprio Burke reconhecerá em suas cartas. Mas, ainda assim, como é possível libertar-se dos maus espíritos?

Senhores de ambições imorais, baseado em nosso sistema republicano, salvo em alguns segmentos, não estão lá por acaso, eles foram escolhidos. É claro que o discurso influencia e muito nossas escolhas sobre decisões políticas, mas o brasileiro está tão apaixonado pela arte da retórica, que somente a retórica basta, assim como o grito do Ipiranga foi um fator ilusório de “emancipação internacional”. Basta dizer, não fazer. Dizer é o bastante para encantar qualquer espírito desesperado, e o desespero, nesse caso, é justificado, pois o passado não é aliado da classe política. As provocações de Hayek refletem nosso cenário de pura servidão voluntária. A viúva da liberdade apaixonar-se-á por qualquer “galã emancipador”, porque suas palavras são doce vinho para quem deseja embriagar-se desesperadamente. Independência ou morte, neste caso, “morte”, porque a independência e liberdade é um equilíbrio entre desejo e consequência, mas nós apenas desejamos, mas a consequência é temerária. No final das contas, o brasileiro é uma criança que clama pelo eterno paternalismo, e mesmo depois de lidar com tantos problemas e desafios, ele não pretende errar por sua conta risco, ele pretende culpar os outros pelo seu insucesso ele precisa andar de mãos dadas com o medo.


O medo que acomete não só os espíritos mais temerosos pela liberdade, mas aos interessados em manter a servidão: os maus políticos. O medo da punição está a causar a destruição da própria justiça, que deveria abarcar a todos. Por isso eles se isolam em seus lares, temendo o forte rugido dos que ainda acreditam na justiça. Mergulham-se na miséria de seus postos, cercados por suas vaidades e medos que somente um espírito corrupto teria: o povo nas ruas.


O preguiçoso diz: "Lá está um leão no caminho, um leão feroz rugindo nas ruas” (Provérbios 26:13)


Independência para quem? Para o povo, que deseja emancipar-se da classe política corrupta.

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