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Marx Estaria Contente com o Socialismo Atual?



O conservadorismo é radicalmente oposto ao socialismo, seja ele qual for. De igual modo, com o comunismo não seria diferente. Mas, ainda assim, é preciso reconhecer a importância de Marx e seu materialismo histórico, seja na história da filosofia, seja na história da política — mesmo não concordando com ele. Feito essas colocações, é preciso levantar uma questão: Marx teria orgulho da atual esquerda Brasileira? Eu acho que não...


"O trabalho é a fonte de toda riqueza e de toda a cultura", assim dizia o partido operário Alemão. Ora, é basicamente um dos argumento mais utilizado pela esquerda Brasileira atual com poucas divergências. Ocorre que o senhor Karl Marx não coadunava com essa ideia, como ele mesmo chegou a dizer, isso não passa de uma justificativa para a classe burguesa afirmar que o homem possui apenas sua força de trabalho para entregar e, portanto, necessariamente, uma classe teria domínio sobre a outra. Para Marx, somente quando o homem age desde o início como proprietário em relação à natureza, fonte primeira de todos os meios e objetos do trabalho, apenas quando a trata como um objeto que lhe pertence, é que seu trabalho se torna fonte de valores de uso. A divergência de classe impede esse tipo de domínio em relação à natureza, assim como a propriedade privada, por isso sua teoria tinha como objetivo o fim desses bens, que, para ele, culminavam na "opressão de classes".


"De todas as classes que hoje enfrentam a burguesia, somente o proletariado é uma classe realmente revolucionária. As outras vão degenerando e tendem a desaparecer com o desenvolvimento da grande indústria, ao passo que o proletariado é seu produtor característico". Vale lembrar que o PT, como nenhum outro partido, enriqueceu os cofres bancários. A crítica que os Bolsonaristas fazem ao PT (comunista) é equivocada e errônea. O proletariado aspira a despojar a produção de seu caráter capitalista, mas o PT fez o exato oposto: foi o típico socialismo burguês, como diria o próprio Marx.


O socialismo grita às massas: somos favoráveis à democracia. Além disso, fala-se sobre a subvenção do Estado "sob controle democrático do povo trabalhador". A realidade é que Marx não era entusiasta dessa ideia. Em primeiro lugar, como ele mesmo descreve, democrático, quer dizer, em Alemão, "do povo soberano". Mas o que significa "controle popular e soberano do povo trabalhador"? Para ele, tal termo significa que o povo não está no poder, nem se acha maduro para tal. É precisamente o que o socialismo atual prega: a ideia distinta do que deveria servir. O socialismo deveria ser apenas um período transitório para o comunismo, seu estágio final. Ou seja, no socialismo atual, têm-se apenas o crescimento do Estado, sem nenhum objetivo definido, o que Marx recusaria. Para ele, o proletariado era uma classe revolucionária, não democrática e, portanto, não deveria receber ajuda do Estado para tomar o poder.


"A liberdade consiste em transformar o Estado, de órgão acima da sociedade, em órgão inteiramente subordinado a ela". Parece que o desejo de Marx, de fato, não está sendo atingido. O socialismo parou na transição: apaixonou-se pelo poder. O Estado cresce de modo desordenado, faz dos indivíduos coleções em suas galerias, chama-os de minorias e diz: vocês precisam de nós, somente nós podemos salvá-los. Para Marx, o oposto deveria ocorrer: o Estado não precisa salvar o povo, o povo precisa salvar o Estado, assim como ele mesmo discorreu sobre o conceito de educação:


"O Estado é que necessita receber do povo uma educação maciça".

Como portariam-se os socialistas ao saber que o principal representante da esquerda, ao contrário do que eles pensavam, os "cuspiria fora"?


Não há como fugir à terrível verdade: seguindo ou não os ensinamentos de Marx, tendo existido teoricamente ou não, o comunismo nunca dará certo, especialmente porque, no final das contas, o sonho do proletariado é tornar-se um burguês. Eles não querem o fim das classes, eles desejam ser a classe dominante. Os socialistas atuais são o que sempre foram e, ao mesmo tempo, o que sempre atacaram: os burgueses


Por Renan Jorge

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