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Não se Importe com os Idiotas

Atualizado: 10 de Out de 2020



Um dos vícios mais odiosos da modernidade é a ditadura da opinião: o hábito de tentar impor sua opinião às demais pessoas. Em alguns casos, isso funciona, mas, quando não é possível lograr êxito com tal conduta, algumas pessoas ficam arrasadas e transtornadas, chegando a culpar o mundo por sua “impiedade” – um grande aporte para a famosa expressão de Sartre “o inferno são os outros”. Entretanto, este ensaio não busca focar num drama de aprovação ou algo do tipo, eu diria que ele é o exato oposto: não se importe com idiotas.


"Quanto mais gosto da humanidade em geral, menos aprecio as pessoas em particular, como indivíduos". Fiódor Dostoiévsk

Este autor pode parecer um tanto ríspido, talvez? A primeira coisa que é preciso saber sobre Dostoiévsk é que ele não daria a mínima para você. No geral, autores como Dostoiévsk, Freud, John Stuart Mill, Nietzsche, herdeiros de uma boa dose da tragédia e da sátira, não estão a buscar qualquer tipo de emancipação de sua natureza, ou um reflexo à imagem das pessoas. Esse aspecto está vinculado a outras correntes filosóficas, especialmente às coletivistas. Mas, no geral, qual é a primeira coisa que devemos saber sobre os idiotas? Eles são muitos, como bem pontuou Nelson Rodrigues. Desse modo, em termos de quantidade, se nossa perspectiva de vida estiver ligada às contingências da opinião alheia, provavelmente morreríamos por tentar atender tamanha demanda. Este seria, portanto, o primeiro ponto e razão para não se importar com os idiotas: você não vai vencê-los, e no esforço incontrolável de tentar, você provavelmente se tornará um. O segundo motivo está em compreender o que os behavioristas chamam de "mundo privado". No fim das contas, o idiota só fará mal a você se você permitir, ou seja, é preciso dominar o “eu”. Ficar amargurado por não receber o afeto de alguém, por não receber o que se esperava, por ser insultado e outras coisas do tipo são meras futilidades. Essa carga negativa reside apenas em seu imaginário e, portanto, fará mal apenas a você mesmo. O objetivo dos idiotas é justamente esse: olhar os que podem voar e culpá-los por possuírem asas. Isso não quer dizer, por outro lado, que você não cometerá erros e que não agirá como um completo canalha – baseando-me em nossa natureza, isso vai acontecer –, isso quer dizer que algumas pessoas desejam apenas o fracasso das outras, portanto, não merecem atenção. O terceiro motivo é que as opiniões normalmente não têm efeito material ou critério objetivo, no sentido que não podem transformar a sua vida. Você pode ter uma carreira de sucesso mesmo sendo odiado por idiotas, assim como pode viver uma vida de fracasso tendo os mesmos “espectadores”. Portanto, não há o que temer em relação a isso – a menos, é claro, que você resolva agir da maneira que lhe foi ofertada.


Por que não devemos nos importar com os idiotas? coloco este questionamento para chegar ao quarto e último motivo: pois isso seria negar a nós mesmos. Se a sua perspectiva, se o seu modo de agir, de pensar, de viver, está apenas ligado ao que as pessoas estão a pensar, de modo que isso esteja a interferir nos seus verdadeiros desejos, você poderá perder sua identidade – se é que isso já não ocorreu. Em alguns casos, é claro, somos “controlados por idiotas”; na política, por exemplo, há muitos. Contudo, em exceção ao que realmente não podemos controlar, o ideal seria dominar o próprio espírito, portanto, chegar à maturidade. Os idiotas não são dignos do tempo, nem do esforço, nem dos piores pensamentos, pois estes também nos consomem; só o que um idiota merece é viver com sua completa insignificância. Só existe uma pessoa que pode dar significado a um idiota: você mesmo. Mas, como se sabe, isso também seria “idiotice”. Como disse Nietzsche:


"O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo". Por Renan Jorge

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