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O BLM e a Ditadura da Minoria

Atualizado: 1 de Set de 2020

Escrito por: @_Conservador



As Contradições do Movimento



Ao passo que o Black Lives Matter mantém a sua aura sob a notoriedade e o clamor popular no que tange o combate ao racismo, eis que os inúmeros casos que alardearam milhares de cidadãos norte-americanos começaram a tomar os recintos midiáticos da grande imprensa que por tanto tempo os escondeu. Não é de se espantar que esses inúmeros casos, ora tratados como isolados, ora tratados como mera ocasião devido às atitudes dos vândalos que porventura se juntavam ao movimento na calada da noite, fossem finalmente esclarecidos às massas para que se tivesse um discernimento maior a respeito dos grupos que tornam sustentáveis as atitudes obscuras e equivocadas por trás do movimento. Eis que a atuação pacífica dos manifestantes é colocada em xeque frente aos instrumentos de medição da ética e da moralidade para que naturalmente fossem bem recebidas pelo público em geral. No entanto, percebe-se que, com o decorrer dos acontecimentos um tanto nebulosos do BLM, uma pequena parte dos manifestantes do movimento negro começou a se desvincilhar do acervo autoritário para, de maneira sensata, tornarem-se vozes destoantes em prol da liberdade, da honradez, da decência e da integridade e contra o aspecto arbitrário, discricionário, optativo e seletivo dos manifestantes negros em detrimento das demais etnias.


Essas vozes, naturalmente por se abdicarem do aspecto autoritário no que consiste os integrantes radicais que representam o movimento, foram retiradas do seu lugar de fala para permanecerem na mais longínqua e remota vastidão do esquecimento. É notável que, sob a perspectiva facciosa do BLM, aqueles que por ocasião se queixam das atitudes tresloucadas e um tanto aterrorizantes dos manifestantes de teor revolucionário, não podem fazê-lo porque ao questionar a legitimidade do movimento, questiona-se também a virtude, o pertencimento e o lugar de fala a que está submetido este cidadão que porventura é negro.


No entanto, apesar de os desdobramentos da mobilidade do BLM serem compostos por uma maioria de cidadãos decentes, inconformados e de certa forma injustiçados com que os acomete todos os dias, seja no que diz respeito às notícias e às fatalidades que assolam a população negra, seja no que diz respeito ao racismo, velado ou não, institucional ou não, contudo é de se perceber que o anseio dessas pessoas por justiça se faz mais presente até do que o ponto de vista moral, podendo inclusive ultrapassar os limites do razoável. Vejam o caso dos diversos ativistas que vilipendiaram o labor da tradição de séculos da cultura ocidental ao vandalizarem as igrejas e dilapidar as estátuas com a finalidade de garantir o prestígio histórico e cultural do movimento em uma tentativa escabrosa de reconstruir a história e dilapidá-la de acordo com os próprios caprichos autoritários e muitas vezes arcaicos que consistem a orientação ideológica do Black Lives Matter.


Naturalmente que um movimento fundado em grande parte por ativistas pós-modernistas e marxistas não tenha tanta consideração a respeito dos meios que consistem o ato político tanto que, apesar das críticas feitas (com razão) à Donald Trump em relação à orientação que foi tomada a partir de seu governo no combate à pandemia do COVID-19, no entanto, é perceptível que o tom do criticismo nada tinha a ver com a defesa do valor da vida humana, em particular a vida dos cidadãos negros, muito pelo contrário. Os propósitos muitas vezes destes ativistas consistiam em criar uma sustentação tal para o movimento para que o mesmo fosse alavancado a níveis internacionais e atingisse acentuadamente o clamor popular dos cidadãos de outros países impactando-os sob o pretexto de combater-se a injustiça e a violência policial substituindo estes dois aspectos por igualdade, diálogo pacífico e resolução frente às mazelas do racismo estrutural que tanto acometem os policiais e conscientemente os levam a oprimir os cidadãos que porventura são negros e inocentes. Por mais que a ingenuidade de alguns manifestantes se faça presente e colabore inevitavelmente com a adesão de muitos outros em defesa de pautas tão fundamentais como a defesa da integridade dos cidadãos negros, entretanto percebemos a cilada a qual o discurso está submetido a partir do momento em que houvera, à época, uma adesão prematura a estas manifestações logo no ápice da pandemia de COVID-19 nos EUA. Expondo a contradição latente do discurso do movimento, fica evidente que não se pode propor a proteção dos direitos dos jovens manifestantes negros se eles porventura tornarem-se incapazes de exercer qualquer atitude no que concerne o exercimento da plena cidadania ao contraírem e possivelmente virem a falecer, tornando-se mais uma das vítimas de COVID-19.


Mas já tocando no cerne da questão das mazelas e dos fanatismos envolvendo o Black Lives Matter, eis que me deparo com as três seguintes notícias: a primeira se tratando de uma matéria do Jornal da Cidade intitulada "Bebê branco é torturado em apoio ao Black Lives Matter, em Ohio", a segunda refente a uma notícia veiculada pelo site The Post Millennial intitulada "Líder do BLM no Canadá chama brancos de 'sub-raça' e diz que são geneticamente defeituosos" e a terceira publicada na Fox News com os seguintes dizeres "Mulher baleada em Indiana, morta após discussão com apoiadores do BLM." Evidentemente que noticias trágicas como estas se fazem presente em certos movimentos tipicamente grandes como este, não que devam ser normalizadas, mas que evidentemente acontecem porque abarcam inúmeros desconhecidos que em muitos aspectos possuem o senso de responsabilidade, a moral e a dignidade amplamente duvidosos. No entanto é visível que há um grande esforço por parte dos simpatizantes do movimento em tratar tais acontecimentos com certa amenidade e condescendência em relação àquilo que, mesmo que de maneira minoritária, ainda sim se faz presente nas atitudes e nas manifestações ríspidas promovidas pelos ativistas que em tese são mais virulentos, acontecimentos estes relatados inclusive como se fossem fatalidades iminentes em proveito de algo maior, mais significativo, como se tais ingerências pudessem ser instrumentalizadas de modo a servir ao suposto combate ao autoritarismo e ao suposto combate às atitudes vis e até despóticas que tanto assolam o cotidiano dos cidadãos inocentes que porventura tiveram o seus respectivos estabelecimentos devastados, saqueados ou até queimados vítimas das barbaridades dessa gente desajustada. Evidentemente que estas virtudes que o movimento alega defender agora não mais se sustentam frente aos fatos.



A Ditadura da Minoria



Apesar da aparente contradição de termos, a "Ditadura da Minoria", como alguns a apelidam, reflete muito bem o modus operandi por parte de alguns integrantes do movimento Black Lives Matter. Esta "minoria" por mais que haja como parte integrante da sociedade (ainda que vista sob um ótica de opressor e oprimido estabelecida pela Luta de Classes), no entanto, quando mantidos em grupo, se valem de uma autoaceitação tão coercitiva que em muitos aspectos se tornam impreterivelmente impiedosos do ponto de vista da inclusão no que tange a linha de pensamento grupal que os ativistas passam a adotar a mesma postura das referidas "maiorias" que tanto julgam combater. Vejam por exemplo o caso que recentemente foi exibido na imprensa em que uma apoiadora do BLM que foi coagida por manifestantes do próprio movimento em restaurante a aderir ao trejeito autoafirmativo e simbólico (punho erguido em gesto de protesto) seguindo a vontade súbita da maioria ali presente. Vale ressaltar que os manifestantes que tanto ressaltam a importância da liberdade de ir e vir na verdade o fazem não por um sentimento de revolta e indignação no âmbito coletivo e comunitário, mas por conveniência para absterem-se muitas vezes da pauta ética e moral (afinal os meios importam) para aderirem a uma pauta identitária meramente restritiva, ou seja, aquela que atende somente a um segmento social, mais especificamente aquele setor que detém as mesmas convicções que a maioria dos ativistas. Não uma pauta de integração e aceitação no que diz respeito aos valores alavancados pelos povos de origens afro-americanas, mas o engradecimento e enrijecimento das divisões raciais tornando como virtuoso aquele que por ocasião segue os desmandos do grupo e se refere a todo e qualquer indivíduo como diferente, se tratando naturalmente daquele que vai de encontro à "pluralidade", termo este agora tão incongruente e tão estigmatizado por movimentos identitários como o BLM.


Frente aos diversos excessos cometidos pelos ativistas do BLM, mesmo com todos os desmandos, ainda sim a conduta mais descabida e mais temerária perante os mais desavisados certamente é a de criar uma necessidade de assentir o jovem negro, consciente ou inconscientemente, de tal forma a comprometê-lo com a causa e torná-lo uma engrenagem de um propósito puramente ilustrativo e decorativo. O discurso, muitas vezes sedutor e incorporativo do movimento, que por sua vez, não mede esforços em seduzir os mais jovens para que se tornem peças fundamentais neste novo ambiente promissor de reestruturação e criação de um novo ambiente social favorável ao convívio harmonioso e aparentemente pacífico que se desenvolveria, no futuro, a partir das lutas moderadas, inclusivas e inovadoras acionadas pelos conflitos raciais envolvendo os protetores dos menos favorecidos que promovem estas tais ideias deslumbrantes e os retrógrados e preconceituosos que porventura se negam a aceitar as benesses proporcionadas pelo movimento acabam acometendo os mais ingênuos de maneira a modificá-los acerca de seu discernimento cognitivo transformando todo aquele que discorda das atitudes do movimento em um ser desprezível, medíocre, vulgar e por fim, em um ser completamente adepto ao racismo e aos seus desdobramentos, já que trata-se de um indivíduo que não compactua com os ideais do movimento que por finalidade julga combatê-los.


Por fim, acredito que seja prudente creditar o movimento naquilo que o concebeu como catalizador da indignação popular para levá-la a patamares que envolvem os diversos dinamismos e atuações muitas vezes de cunho civilizado, mediados por um discurso moderado dotado de polidez e praticados com certa reverência e sensatez. No entanto é preciso reconhecer que o movimento está, em muitos aspectos, tomando proporções e alimentando certos elementos altamente autoritárias incluindo a cultura do cancelamento, a exclusão de opiniões conflitantes tendo como base a diferenciação do fenótipo e das características étnicas e raciais (o que para alguns seria também caracterizado como racismo), a depravação do ambiente público como finalidade de protesto, a violência exacerbada que avilta contra todos que se negam a participar do movimento, o aspecto coercitivo da integração grupal, a obrigação e o uso de novas tipologias e a termos que devem-se adequar para satisfazer os desejos pessoais de cada respectivo grupo minoritário, a adesão quase que completa à alegação que se dá a partir da violência policial como parte inerente às autoridades policiais e muitos outros aspectos completamente descabidos e arbitrários. Cabe a nós, enquanto críticos de todas as injustiças, sem distinguir aqueles que porventura as cometem, apontarmos os devidos erros e expormos as contradições do Black Lives Matter para que mentes inexperientes não caiam no ostracismo intelectual de aceitarem somente o BLM como única via legítima e viável para validar o combate ao racismo já que existem outras esferas conflitantes que em contrapartida não se colocam como alternativa singular para se reduzir as injustiças deste mundo tão cruel que tanto nos indignam a cada atrocidade que dia após dia nos acometem.


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