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O Cavalheirismo Precisa Voltar

Atualizado: 28 de Jul de 2020



Edmund Burke, o pai do conservadorismo e um brilhante estadista, discorreu sobre as causas da revolução Francesa. Este nobre autor, no qual inspira-me os mais desejosos pensamentos políticos, destacou a importância do cavalheirismo e, além disso, alertou nossa posteridade no que diz respeito aos frutos de seu desaparecimento. O objetivo deste ensaio, é claro, é retomar esses intensos pensamentos do autor e, como o título diz, tentar expor a importância do retorno deste hábito quase extinto.


Burke inicia sua reflexão sobre o cavalheirismo apontando sua existência como uma espécie de virtude herdada de gerações passadas: no caso em questão, um hábito da antiga nobreza. Para ele, o cavalheirismo não era um hábito de efeitos singulares e próprios de uma única nação, mas também havia tecido aos espíritos da Europa moderna. Além disso, Burke destacava que esse mesmo espírito teria produzido uma nobre igualdade; não uma igualdade espelhada na luta de classe, onde deve existir uma opressão de uma classe sobre a outra, mas uma igualdade baseada num profundo respeito, mesmo coexistindo a distinção entre classes. Noutras palavras, o cavalheirismo despertava uma camaradagem entre as classes. Nas palavras do próprio Burke:


"Sem recorrer à força e sem encontrar oposição, subjugou a arrogância do orgulho e do poder; obrigou soberanos a submeterem-se à macia corrente de estima social; compeliu a autoridade rígida a sujeitar-se à elegância, e levou um tirano que se colocava acima das leis a ceder às boas maneiras".

Contudo, para Burke, a destruição deste espírito nobre seria a ruína dos mais sagrados costumes, a corrupção da identidade social, o fim dos hábitos decentes em prol da "razão". O fim do espírito do cavalheirismo não harmonizaria mais os diferentes tons, mas os destruiriam por ideais abstratos: o fim da camaradagem, o fim da harmonia, o fim dos costumes mais caros à geração que tanto os estimava. No fim, foi exatamente o que ocorreu, como o próprio Burke disse:


"Regicídio, parricídio e sacrilégio seriam apenas ficções da superstição, que corromperiam a jurisprudência ao destruir sua simplicidade".

Basta saber que os eventos da revolução resultaram na morte do próprio Rei, em praça pública — além de, posteriormente, resultar na morte de inúmeros camponeses. Burke chegou a dizer que nada poderia ser contemplado além de um cadafalso.


Por que o precisa voltar?


Cidadão não, engenheiro civil. Sou advogada, meu amor. Seu analfabeto. Esses termos lhe são familiares? Creio que sim. No Brasil, um fato parece ocultar à vista dos espíritos apaixonados pela revolução Francesa. Àqueles que acham que herdamos apenas as conquistas destes senhores, aplica-se o adjetivo de ingênuo. Burke estava correto com relação às consequências do fim do cavalheirismo — aliás, Burke estava certo em muitas coisas. Gentilezas do homem com relação à mulher são, nos dias atuais, um insulto, machismo, fraqueza, entre outros exemplos. A luta de classes, embora não tenha ganhado a força desejada no seu aspecto político, ainda continua presente nos hábitos dos indivíduos. A ideia de superioridade, a arrogância, a baixeza: tudo vivo no espírito destes senhores. O marxismo, diferente do acreditam alguns, também está vivo no ideário "burguês". A união e o espírito de camaradagem, de fato, foram destruídos: o patrão é o vilão, os graduados são superiores, entre outros exemplos. Parece que há uma espécie de espírito servil no Brasil: isso ainda não foi extinto. Isto não é uma crítica, como alguns espíritos podem pensar, à divergência entre classes: ela existe, não pelo culto à opressão, como acreditam alguns, mas por uma consequência da vocação residida no espírito dos indivíduos.


Assim como previu Burke, alguns costumes antigos são considerados antiquados, absurdos, ridículos, fora de moda. A modernidade alimenta-se do veneno que ela ajudou a manipular: a destruição. A arrogância é fruto da destruição deste hábito tão querido, que foi lançado às bestas para ser devorado. Se há em nossa sofrida nação um costume que precisa retornar, este é o cavalheirismo. A obediência às leis, às regras morais, começa, antes de tudo, em nossa lar. Essa geração que ai está, cunhada aos moldes da rebeldia dos conteúdos que assistem: dos contos, da fantasia, que criam indivíduos completamente desrespeitosos, mimados, desajeitados, confiantes de que o mundo nada mais é do que seu servo fiel. Alguns questionam: Por que são tão rebeldes? Porque hoje ser rebelde é uma virtude, uma emancipação, um culto à liberdade abstrata. Esses espíritos são baseados na crença de que seu fracasso é culpa da sociedade, então, para livrar-se deste martírio, estes inditosos oportunistas criam seu cadafalso, gritam às massas veneno puro, fazem sua guilhotina virtual, tudo para desejar cometer os mesmos erros daqueles que juram poder corrigir. Depois, apesar de todos esses atos, dizem: amem sua pátria. Contudo, como Burke disse:


"A nossa pátria, para fazer-se amar, deve ser amável"

Talvez esses espíritos desejam, de fato, sofrer os piores atos tirânicos, como pontuou Burke:


"Os reis serão tiranos pela política quando os súditos se tornarem rebeldes por princípio".

Essa é a consequência do fim do cavalheirismo: a tirania da ignorância.


Por Renan Jorge

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