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O Epitáfio foi Escrito: a Corrupção não Havia Acabado?



Há pouco dias, neste mesmo espaço, eu satirizei a fala do presidente da República, Jair Bolsonaro, na qual ele assume que em seu governo não havia mais corrupção e que esse mesmo motivo o levou a acabar com a lava jato. Junto de outros 15, Flávio Bolsonaro e Queiroz foram denunciados pelo MP por lavagem de dinheiro e peculato. Um paradoxo?


Contudo, não deve-se esperar grandes resultados em relação à denúncia. Em primeiro lugar, porque, no Brasil, mesmo que esses indivíduos sejam condenados, nada garante que serão presos e que, de fato, responderão no mais puro rigor da lei. Nosso judiciário, que encontra-se contaminado por uma mentalidade condescendente em relação à corrupção, incorpora a verdadeira imagem do que não deve-se fazer, servindo de exemplo para qualquer país que deseja punir seus malfeitores.


Em segundo lugar, porque isso não mudará a já lesada mentalidade bolsonarista, que provavelmente alavancará, como já fizeram tantos outros movimentos políticos, a famosa narrativa do "estado policialesco". Não seria a primeira vez que isso acontece, e se isso não foi vislumbrado no caso do dinheiro na nádega, fez-se todo um movimento para tentar dissociar o governo da corrupção.


Fugiu à mente do presidente, que todos os dias criava um "novo traidor da pátria", a possibilidade de que, no fim, ninguém operava para destruir mais o seu governo do que sua própria casa — e não excluo o presidente dessa equação. O governo nunca teve um adversário legítimo, e fica difícil saber se isso realmente existe no Brasil.


A nova denúncia, que surpreende apenas um espírito desavisado, é o começo do epitáfio bolsonarista: o governo está morto, basta enterrar. Se a denúncia surtir o efeito esperado, pretende o presidente resgatar a lava jato? Devolvê-la ao apreço popular, ou Flavio será mais um representante do governo, que não pertence ao governo? Será que um governo que se diz conservador negará os laços familiares? Ou um último ato de entrega ao centrão, ou a destruição do próprio filho, Bolsonaro precisa decidir o que fará para manter sua "reputação ilibada". O tempo está passando e, com isso, está a devorar todas as narrativas criadas para sustentar o alicerce de um edifício mentiroso.


Por Renan Jorge

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