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O Homem Dominado pela Ideologia

Atualizado: 10 de Nov de 2020



Há um adágro popular que sustenta a ideia de que todo homem tem seu preço. É verdade que exemplos como esse, hoje, num mundo onde há grande esforço para manter-se intacta uma imagem que não diz respeito ao verdadeiro espírito, fica cada dia mais difícil encontrar pessoas que vendem-se explicitamente, mas o jornalista Rodrigo Constantino, recém-demitido da jovem pan, ilustra muito bem esse retrato.


Depois de afirmar que não denunciaria um caso de estupro em que uma garota acaba bebendo demais, utilizando sua própria filha como exemplo, o jornalista foi execrado nas redes sociais. Já era esperado, contudo, que o jornalista usaria argumentos do tipo "é um ataque da patota, estão tentando cancelar-me". O grande problema é que, desta vez — como em outros exemplos que norteiam o clã bolsonaro —, a crítica também foi empregada por membros da direita — seria a direita, lado político que o próprio Constantino diz defender, a nova patota?


Às margens do rio da desgraça, Constantino está a chorar inconsolavelmente, conferindo-lhe o título de vítima do establishment — ordem ideológica que ele mesmo tratou de fomentar ao mentir ao próprio reflexo moral. Ora, antes não foi o próprio Constantino um dos primeiros a criticar o desviado bolsonarismo? Agora, num movimento abrupto, sua opinião muda radicalmente. A decadência moral de Constantino deu-se muito antes de sua relativização em relação ao estupro, antes a rachadinha fora o seu alvo de "aceitação no meio". Terá forças para defender o filho do presidente, mesmo após a denúncia do MP?


Constantino é o caso trágico de um autor que não leu os próprios livros, de um homem cuja venda à ideologia danifica o seu preço em mercado; o caso típico do "homem que pode refutar a si mesmo". Para isso, não é preciso muito esforço, basta procurar alguns de seus comentários antigos em seu perfil: um tremendo miserável.


Agora, basicamente sem credibilidade, o mais recente militante bolsonarista pode desfrutar de seu carinhoso apelido dentro do bolsonarismo, e que, ao mesmo tempo, reflete sua figura atual: Rodrigo Cocô. O adubo servirá apenas para favorecer o crescimento de novas plantas, que envergonhadas dos atos de um verdadeiro tolo, crescerão de forma distinta. Rodrigo Constantino recebeu o fim de um verdadeiro vendido: foi comprado pela ideologia bolsonarista, e hoje não vale nada.


Por Renan Jorge

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