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O Inimputável Socialismo

Atualizado: 27 de Nov de 2020


Foi o filósofo Jean-Jacques Rousseau um dos pioneiros a chegar à conclusão de que o homem seria "essencialmente bom". As filosofias mais otimistas em relação à natureza humana normalmente associadas à esquerda logo abraçaram essa ideia. Hoje, após o avanço em relação às inúmeras teorias de cunho progressista, alguns ajustes às teorias foram aplicados, mas sua essência permanece a mesma: a culpa para as desventuras humanas continua sendo um tipo de classe organicamente definida, normalmente denominada elite ou classe burguesa.


Essas classes, já corrompidas pela ganância eliciada pelo sistema capitalista, estariam a oprimir a classe trabalhadora e as demais minorias associadas à subserviência do sistema meritocrático. O tecido social, portanto, seria costurado por linhas coercitivas e exploradoras, que louvam a desigualdade provocada por uma espécie de sentimento moral regulador: justiça.


Com o objetivo de evitar o que se está a chamar de desigualdade sociais, a humanidade deveria confiar os seus medos e angústias à tutela do Estado, que, se incorporado aos moldes de uma filosofia "positivista", poderia levar a humanidade ao aperfeiçoamento. Existiria, nesse solo contaminado, uma espécie de paraíso terreno, local onde os homens poderiam conviver em plena harmonia, abolindo os pecados e infortúnios provocados pelas classes abastadas.


Na excitação de mudar o mundo através de uma mentalidade eruptiva, essa linha temerária criou meios de submissão para exaltação das teias sociais prejudicadas ao longo dos anos. Políticas públicas e outros mecanismos políticos foram desenvolvidos para chegar-se ao tão estimado mundo ideal. Nesse processo, o discurso que parecia ser alicerçado num terreno fértil logo colheu os frutos de sua ingenuidade. O socialismo desenvolveu uma espécie de sistema colaborativo entre os homes, de modo forçado, sem levar em consideração os reais motivos nos quais traduziam sua verdadeira natureza.


Nesta epifania indesejada, que fora provocada por um estado de luto de um ideal que verdadeiramente nunca existiu, o socialismo negou suas transgressões ao mundo, rejeitando todo tipo de verdade que não fosse convertida ao seu olhar "crítico".


Logo, para satisfazer sua necessidade e continuar reforçando a tese de justiça social, o socialismo passou a romantizar atos de violência e vandalismo, justificando-se diante de todos os constructos humanos para reforçar a ideia de que praticavam um "mal necessário". O diálogo, normalmente abraçado por essa própria ideologia política, logo foi abandonado aos cumes da miséria, dando lugar ao estado primitivo humano para conquista de sua emancipação.


A tão sonhada revolução social, o fim da opressão, o fim da desigualdade, o começo de um mundo verdadeiramente justo, todos esses jargões estabeleciam o começo de uma nova aspiração humana.


O discurso não era tão distante da religião, como juraram os seus autores. A diferença é que a utopia transpassa os níveis de uma verdade razoável: o paraíso seria terreno e todo tipo de "injustiça" deveria ser causada às elites para que elas entendessem, no seu estágio de conversão, que somente o controle minucioso das atividades humanas levaria à verdadeira paz.


A utilização de terminologias perdeu completamente o seu significado na essência desta filosofia enganosa, pois os verdadeiros demônios opressores são os seus adversários e desviantes, não os atos cometidos pelos homens. A classificação de injustiça, de preconceito, de racismo, de opressão, de exagero, dependem, exclusivamente, de critérios históricos aplicáveis ao seu estado de natureza. Ao branco seria negada a possibilidade de sofrer racismo, porque, "historicamente", seus mensageiros foram os verdadeiros causadores desta conduta criminosa, e assim sucessivamente.


De repente, ao cruzar o outro lado desta ponte, viu-se o próprio reflexo estampado no lago da verdade: ou atribuía-se o peso da conduta à humanidade, ou atribuía-se à elite. O resultado? Provavelmente você, caro leitor, já sabe a resposta.


Os adeptos desta filosofia não compreenderam ou não querem compreender , que, no final das contas, mesmo a elite que eles tanto abominam não pode ser culpabilizada. Ora, se fosse esse o caso, a "elite" nada mais é do que uma representação arquetípica de um problema estrutural intrínseco ao organicismo. Ou seja, o "homem" é essencialmente bom e, portanto, sendo esse homem bom, ele pode não ser culpado por ser o opressor, ele é apenas um peão num jogo de relações sociais. A elite, no final das contas, é formada por um conjunto de indivíduos — sendo este naturalmente bom.


Ou seja, o oprimido não tem o direito de se voltar contra o opressor, pois ambos são vítimas dos papéis que desempenham, eles estão abarcados por uma cadeia histórica superior à própria imagem. O papel que desempenham, em última análise, é apenas fruto da complexa rede de relacionamentos: a sociedade.


Isso quer dizer, noutras palavras, que os racistas o são porque são instruídos por seu papel racial, os ricos oprimem os pobres pelo mesmo motivo, e assim sucessivamente. No fim, o discurso à esquerda é inimputável.


A vítima social não deve representar apenas o papel do oprimido, a vítima da sociedade também deve ser representada pelo papel do opressor, que, teoricamente, não escolhe ser assim. Se um homem branco não pode opinar sobre o racismo, em virtude do lugar de fala, então não há nenhuma razão para que ele mude algo que ele está destinado a ser. Ora, se uma pessoa será potencialmente racista apenas pela cor da pele levando em consideração o fato de que ela não pode mudar sua origem então ninguém mais está a reforçar o preconceito do que os próprios adeptos dessa linha de pensamento.


Com o socialismo, não se chegará ao que chamamos de justiça, porque a justiça é relativizada de acordo com a classe social. O opressor deve ser punido, mas se o oprimido está a praticar um ato de coerção, ele pode fazer isto para eliminar as pendências com a sociedade. Tudo bem atear fogo, quebrar patrimônio público ou privado , se isso levar ao que se chama de emancipação social, ao grito de guerra utópico de liberdade. O socialismo é inimputável em si mesmo, enquanto sistema permissível em estado de exceção conveniente, e empiricamente contraditório , pois seleciona os verdadeiros atuantes no palco da vida, favorecendo o que se chama de vítimas de classe enquanto, ao mesmo tempo, se está a criar outra vítima potencial a classe que se pretende oprimir em benefício da vítima.


Só há uma explicação lógica para seu sustento: as pessoas preferem a busca pela ilusão à verdade aparente. Seja para anestesiar a consciência, seja para puro prazer pessoal, o socialismo existe apenas para contar as mentiras que a humanidade deseja ouvir.


Por Renan Jorge

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