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O Líder como Símbolo do Pecado

Atualizado: 3 de Out de 2020



Àqueles que despiram-se de qualquer paixão política, não resta dúvida de que Bolsonaro tornou-se um exemplo de "como não governar". Em que pese o fato de que a Covid possa ter contribuído para acelerar o processo, boa parte das pessoas estão a observar esse cenário de modo mais nauseante. Essas almas não podem ser culpadas, afinal, o governo realmente não tem cumprido com boa parte de suas promessas eleitorais e, mesmo que se use o argumento de que não existe nenhum tipo de corrupção formal — o que é, no mínimo, cômico, já que busca-se o foro privilegiado e outras regalias da classe política para barrar qualquer avanço nas investigações —, somente os indícios e incongruências no discurso dos bolsonaristas causam espanto aos mais céticos politicamente. Noutras palavras, somente os mais fanáticos e desesperados estão a apoiar o presidente. Contudo, esse ensaio não busca reforçar qualquer aversão ao Bolsonaro, o objetivo, portanto, é demostrar que um movimento massivo como o Bolsonarismo apenas personifica a imagem de seus súditos no seu presidente, de modo que seus vícios sejam justificados por atos políticos.


Bolsonaro não é uma grande figura neste coliseu de batalha política, ele é apenas mais uma peça no xadrez político, outro peão que, desta vez, decidiu avançar casas demais. Isso seria tão incomum assim? Provavelmente não. As pessoas estão a justificam seus ódios e preconceitos baseadas em sua paixão política. Quando se está a fazer isso, pode se dizer que se está a lutar por uma causa maior do que si mesmo — o fim da própria personalidade. Desse modo, confrontar autoridades, agredir funcionários de hospitais, manifestar visível ódio aos opositores, todos os mais diversos comportamentos infames são, a priori, aceitáveis no imaginário fanático. Normalmente, esses atos são sempre justificáveis com a extirpação como parte do processo. O líder, por outro lado, é apenas o modelo para que todos esses sentimentos possam ser eliciados. Trata-se de uma verdadeira descarga de barbárie. Contudo, não engane-se, querido leitor, esses senhores negociarão o seu "salvador" por qualquer moeda de prata que encontrarem. No fundo, o presidente é somente mais um bode expiatório para manifestação dos próprios vícios e pecados — sim, o líder como o símbolo do pecado. Quando o edifício estiver prestes a cair — e ele vai —, eles dirão: foi culpa do presidente, ele forçou-me a isso. Quantos alemães não culparam Hitler pelo holocausto judeu quando, ou contribuíram para tal ato, ou não moveram um dedo para impedir esse crime — e isso não é uma comparação entre Hitler e Bolsonaro, mas ao modo como as massas fogem da responsabilidade por seus atos.


Então, tomados por um "falso ressentimento", esses espíritos logo sairão em busca de outro símbolo do pecado, e, de novo, cometerão os mesmos erros, farão o mesmo culto para um deus diferente. Este parece ser o prefácio e posfácio do livro brasileiro, quase como se estivéssemos lendo o mesmo livro, mas com personagens diferentes. Lula, Dilma, Bolsonaro, o nome pouco importa, o símbolo, no entanto, é mais do que temerário. No fim, as pessoas estão a procurar apenas um agente para culpar. Não estou a dizer que esses senhores foram bons — exatamente o contrário, e essa foi uma das principais investigações de Hayek. A verdade é que as massas estão a buscar apenas um bezerro de ouro para adoração, mas toda matéria é fornecida por seu esforço. Tecelões cegos, que viciados no hábito de tecer, já não reparam nas cores que estão a usar — basta tecer. Quando este senhor desocupar a cadeira de presidente, qual será o novo bezerro a ocupar o lugar?


Por Renan Jorge


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