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O Pequeno Príncipe Quer Falar com Você

Escrito por: Renan Jorge


Poucos livros têm a capacidade de falar com nossa alma, desvendar nossa natureza, corromper o espírito e, ao mesmo tempo, curá-lo de sua própria vaidade. O pequeno príncipe é capaz de todas essas coisas. Em especial, fui presenteado com esta obra por uma pessoa que amo tanto quanto a gramática poderia descrever, e hoje, tomado por uma gratidão, pretendo presenteá-lo(a), caro leitor(a), com a melhor coisa que posso fornecer no momento: meus sentimentos.


"As pessoas grandes nunca compreendem nada das coisas, e é cansativo para as crianças estar sempre lhes dando explicações".


Quando se é criança o mundo parece tão grande, tão vasto, tão infinito, mas quando se é adulto o mundo é apenas um relógio, que conta algo que ele nem mesmo sabe ao certo como funciona: o tempo. E nós, adultos, estamos sempre ocupados: cheios de preocupações, responsabilidades, com poucas rotas de fuga: talvez um final de semana. Talvez seja esse motivo da intensidade das crianças: elas apenas vivem. A realidade é que não temos tempo para distrações:


"Ah! meu pequeno príncipe, eu compreendi, pouco a pouco também, tua pequena vida melancólica. Tu não tiveste para distração, por muito tempo, nada mais do que a doçura do pôr do sol".


Às vezes as palavras não ditas, as lágrimas não choradas, os versos nunca escritos cruzam essa fronteira de implicações: nossa atenção volta-se à natureza. Nada mais belo do que deixar de olhar para si mesmo, talvez seja uma das coisas mais nobres a se fazer. E este belo aparato biológico é ainda tão fascinante, pois foge à glória do homem, que não pode vangloriar-se por sua criação.


"É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas.”


E quanto à nossa natureza? O que dizer daquilo que pouco sabemos, mesmo com tanta investigação? Sabe-se que, de alguma forma, fugimos da cantilena da vida, mas o sofrimento esconde-se no fim do círculo. Por mais proveitoso que seja voar com esplendor, não podemos fugir dos estágios evolutivos que nos esperam: o equilíbrio entre alegria e tristeza sempre existirá, não é possível pular esse estágio.


“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.”


A utopia do que chamamos de perfeito e idealizamos, a ideia de que o único objetivo racional é buscar anestesia no amor, mas isso é apenas entorpecer os sentidos por um breve momento. Não se pode enganar os sentidos para sempre, nem fugir do aprendizado que a dor ensina, e o amor vivencia todos os estágios: chorar faz parte.


“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”


Protegemos o que estimamos, conservamos o que é querido, desejado e caro. Inevitavelmente, não podemos fugir à responsabilidade do cuidado: somos responsáveis por aquilo que chamamos nosso. A atitude conservadora reside em todos os espíritos — em alguns, isso ocorre com mais intensidade. Se encontrares uma rosa no meio do caminho, lembre-se de não odiá-la por seus espinhos: talvez ela só queira se proteger.


“Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”


Scruton, um autor muito querido no conservadorismo, analisou com maestria nossa necessidade de vínculo. A verdade é que eles não são úteis, em termos de mercado e vida profissional, mas são extremamente necessários, sem os quais não podemos viver. Nós tomamos como existente apenas o que é palpável e visível, mas nossa alma é sustentada pelos vínculos que criamos ao longo do caminho, e o afeto é tão generoso e sublime, que foge a todos os versos e poemas que poderíamos escrever: tudo inexplicável. Em suma, os laços não podem ser observados e descritos por sua utilidade, é justamente o contrário: é por não serem limitados à mente e às equações humanas que eles são imprescindíveis: esse é o nosso destino: amar.


"Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor". Carlos Drummond de Andrade

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