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O Politicamente Correto é um Porre

Atualizado: 3 de Out de 2020



Gloria Maria foi o novo alvo da militância do politicamente correto. O motivo? Em entrevista, a jornalista teceu criticas ao modelo do politicamente correto "hoje em dia tudo é racismo, assédio. O politicamente correto é um porre", disse ela. Ela está errada ao afirmar isso? Creio que não...


Recentemente, uma das mais novas pautas dessa militância mais extremada é por fim ao termo Black Friday por ser ofensivo à comunidade negra. O grupo boticário, por exemplo, disse que não usará mais o termo em respeito aos que sentem-se desconfortáveis com seu uso — um verdadeiro show de horrores. Em primeiro lugar, cumpre pensar que se todas as empresas abrissem mão de sua marca apenas por ser desconfortável para algumas pessoas, o comércio seria abolido. Em segundo lugar, no final das contas, a mudança do termo não acarretará qualquer mudança no significado da Black Friday — insisto em chamá-la assim. Esses defensores da "suposta democracia" não aceitam termos que não lhes agradam simplesmente porque, no seu imaginário deturpado, ao usar esses termos, as pessoas estão a coadunar com expressões que remetem à escravatura — uma tolice sem igual. Tal atitude não passa de uma "manutenção de ordem subjetiva". Isto é o que o politicamente correto é: uma maneira de mudar uma expressão por mera subjetividade, usar o seu sentimentalismo para punir a opinião alheia. Mas, ainda assim, o caso não trata de nenhum debate entre dos espíritos teimosos, mas de um termo para fazer alusão à rede de ofertas. Além disso, diferente do que os boatos estão a dizer, o termo não faz nenhuma referência à escravatura, não existindo qualquer evidência cientifica sobre o caso. Sendo assim, do que eles estão a reclamar?


O maior choque para os militantes do politicamente correto, no caso da jornalista Glória Maria, dar-se-á pelo fato desta ser uma mulher negra, que diferente do que espera-se nos padrões do fanatismo, está apenas a emitir sua opinião. O grande problema, nesse caso, é que contrariar a militância é um verdadeiro suicídio de imagem, tendo em vista que se está a correr o risco de "cancelamento". Se isso tem algum significado mais expressivo para jornalista, somente ela pode dizer, mas a declaração leva-me a crer que não. Se "tudo" é racismo, então só o racismo existe; se tudo é assédio, então só o assédio existe. O grande problema é justamente esse: falta de objetividade. Nesse caso, a crítica foi assertiva e mais do que bem-vinda: "o politicamente correto é um porre". Ninguém em sã consciência deseja viver num mundo de abstrações, onde tudo que deseja-se falar é mensurado na balança dos justiceiros sociais atemporais. No fundo, o politicamente correto não passa de uma conduta mimada de pessoas que estão a viver com uma verdade neurose — no caso da Black Friday, uma "neurose racial". Olham desconfiadas para o motorista, para o padeiro, para o vizinho, porque enxergam racismo e assédio em tudo. Todos querem causar-me algum mal. Creio que essas pessoas não precisam de qualquer atendimento às preces do desespero, mas de uma forma de lidar com os próprios desafios e problemas da vida. Apenas não sei como a mudança de meros nomes e termos pode contribuir para isso...


Por Renan Jorge

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