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O que o Conservadorismo Tem a Dizer Sobre os Gays?

Atualizado: Jan 13


O nome "conservadorismo" costuma causar aversão aos chamados "LGBTS", mas será o conservadorismo avesso à esta conduta?


Quando se está a falar na expressão conservadorismo, diversas conclusões precipitadas emergem na gramática de alguns espíritos. Uma delas — e, precisamente, o tema deste ensaio — o posicionamento em relação à afetividade de alguns. Diante disso, é comum deparar-se com afirmações do tipo: vocês não gostam de gays, lésbicas, etc..


Contudo, esta é uma posição, além de precipitada, muito irrelevante para o conservadorismo, explico.


Em primeiro lugar, não se pode tratar o Sr. Edmund Burke — pai do conservadorismo — e seus contemporâneos como "machistas homofóbicos". O motivo? Anacronismo. Se pegássemos o martelo da justiça social, julgando todos os seres vivos com os preceitos de nosso tempo, condenaríamos os seus espíritos por crimes que eles nem mesmo julgaram cometer. Além disso, o que os impediriam de fazer o mesmo a nós? Ou seja, manter em vigor o conhecido código de Hamurabi não é o tipo de "ato democrático" que necessitamos. Na mesma medida, estaríamos intervindo e impedindo esses indivíduos de cometerem esses erros e aprender com eles — coisa que à nossa sociedade não foi negada, e que não seria facultada às demais.


Nas vastas cartas de Edmund Burke — se minha mente não furtou-se a colher informação — não recordo-me de qualquer menção a este assunto, mas podemos inferir, devido à vasta influência do clero e a assumida posição em relação ao protestantismo no seio Britânico, de que a posição dos conservadores seria contraria aos Lgbts. Contudo, como mencionei neste ensaio, esta não é a grande preocupação de um conservador — com quem alguém decide deitar-se — talvez isto explique a omissão do assunto nas correspondências de Burke: um tema irrelevante.


"Tudo o que um homem individualmente pode fazer, sem lesar aos outros, ele tem o direito de fazer", frase do já citado Burke.


Mas Burke não é o único autor do qual podemos extrair estas posições, Michael Oakeshott foi o autor mais claro nesse sentido.


Oakeshott preocupou-se em afirmar que existe uma diferença entre uma disposição conservadora e uma atitude conservadora, em política. No primeiro caso, temos uma disposição que é comum à maioria das pessoas. Todos temos algo que estimamos, que desejamos proteger: nossos elos preciosos, nossas famílias, nossos amigos. A perda do presente incomoda profundamente um homem de disposição conservadora. Agora, isso não significa — e nem deveria — que um conservador deva impor o seu presente às demais pessoas, ou seja: se um conservador deseja preservar uma "família tradicional", que o faça. O que não lhe é permitido fazer, nesse caso, é ordenar às demais pessoas, que não desejam fazer o mesmo, que sigam os mesmos passos. O conservadorismo em política não pode ser confundido com uma "disposição conservadora"; o conservadorismo político baseia-se na política do ceticismo, justamente contrária às arbitrariedades de qualquer agente político que tente interferir na vida de seus governados.


E quanto aos religiosos? Eles têm o direito de dizer que os gays vão para "o inferno"? Sim, eles têm esse direito, assim como os gays podem dizer que os acusadores serão lançados ao inferno, assim como podem dizer que não acreditam no inferno, entre outras coisas. As pessoas podem comentar, podem falar a respeito, podem não gostar; o que elas não podem é causar qualquer dano objetivo aos indivíduos por suas escolhas.


Eu quero viver a minha vida em paz, quero que as pessoas parem de importunar-me, porque, objetivamente, não estou a causar nenhum mal. Essa expressão é, precisamente, o conceito que permeou os ensaios de John Stuart Mill — alvo de muitas críticas pelo seu conceito "elástico" de liberdade — e que exemplifica o que realmente um conservador deseja: não ser incomodado.


Um conservador não deve preocupar-se com os hábitos sexuais das pessoas, a menos, é claro, que sejam injustificáveis e sórdidos, como a pedofilia, por exemplo.


Preocupar-se com isso, fazendo uso das obras Freudianas, soa mais como o ato de alguém que esta a reprimir o desejo de navegar por "mares desconhecidos". É sinal de negação, não de conservação.


O que deve interessar ao conservador é preservar o que lhe agrada, o que lhe é benéfico, o que sobreviveu aos testes do tempo, o que está a firmar as bases sólidas da civilidade, ou seja, desfrutar do presente, do agradável presente.


O conservadorismo não lançará fora qualquer espírito que reconheça a importância de algo mais do que o próprio intelecto, do que o próprio preconceito, do que a própria ignorância, do que a própria presunção, do que, de fato, não trará nada agradável.


Se você conheceu algum conservador que disse o contrário, esteve diante de uma pessoa com um profundo interesse na vida alheia e, sem dúvida, com uma grande vontade de ser tragada pelo próprio desejo que diz repudiar.


O que o conservadorismo tem a dizer sobre os gays? O mesmo que tem a dizer sobre os héteros: que conservem o que estimam, porque seus hábitos não interessam.


Por Renan Jorge

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