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O Aborto em Caso de Estupro

Atualizado: 30 de Ago de 2020

Escrito por: @_Conservador


Ao passo que nos deslumbramos com as inúmeras ocasionalidades envolvendo o aborto, percebemos que cada vez mais o procedimento de reduzir a vida humana em desenvolvimento a uma mera escolha subjetiva e intrapessoal da mãe se concretiza no imaginário popular. Através de casos inusitados e um tanto estapafúrdios como o que por exemplo acometeu a jovem de 10 anos, é perceptível, pelo menos entre a grande maioria dos jovens e adultos nas redes sociais, que houve uma reviravolta impressionante naquilo que concerne o senso de se fazer justiça do brasileiro. Eis que muitos defensores e ativistas pró-aborto começaram a destoar as suas múltiplas opiniões nas redes e decerto, muitos usuários se valeram da narrativa e passaram a dar razão às práticas defendidas por essa gente. Além disso, muitos defensores da formação intrauterina e do desenvolvimento do nascituro, passaram a se locupletarem dos argumentos dessa gente para validar o começo de uma prática invalidável e pior, omitiram-se e à sua opinião para poderem, com fins de absolvição, não serem execrados e confrontados pela maioria esquerdista (e direitista em alguns aspectos) no que diz respeito ao cerne dessa questão: afinal, há uma exceção para o aborto nos casos de estupro?


É notável que existam certas questões que devem ser tratadas não somente com empatia (como já descrevi no meu artigo "Tenha Empatia"), mas, além de tudo, com teor de sempre manter a moralidade e buscar o meio racional de defender os valores corretos, do jeito certo. Não me refiro à Sara Winter quando digo que devemos defender a vida de um ser indefeso com base no direito à vida e ao crescimento do nascituro e tão pouco àquela horda de desocupados que, através de uma medida legal, tentou barrar a garota de 10 anos de realizar o procedimento concedido pelo tribunal daquela região. Naturalmente que não estou dizendo que a lei está correta, muito pelo contrário, em alguns aspectos acho que a lei brasileira consegue ser muito branda e incoerente em alguns aspectos envolvendo o aborto, porém eu acho muito engraçado vislumbrar aquela meia dúzia de desocupados dizendo-se pró-vida quando na verdade trata-se apenas de um mera etiqueta colada frente a sua suposta autoridade moral para poder taxar o médico e os favoráveis à medida legal do aborto de assassinos sendo que, muito provavelmente, a maioria dos apaniguados ali presentes nunca sequer prestaram solidariedade às vítimas de COVID-19, já que conclui-se que a maioria histérica ali era bolsonarista.


Por mais que o meu desprezo pela ex-abortista Sara Winter se faça presente, contudo percebo que muitos veículos de imprensa a associam peremptoriamente à maioria (aparente) dos cristãos e cidadãos brasileiros que por tradição rejeitam o aborto, criando assim uma generalização completa e descabida em relação ao movimento pró-vida. Penso eu que essa associação, ora feita pela esquerda ora feita por parte da direita brasileira, além, é claro, das atitudes dessa gente desastrosa e completamente fanática, culminará, mais cedo ou mais tarde, na fortificação do movimento pró-aborto e no avanço, propriamente dito, de sua agenda autoritária e inclemente.


Em torno de situações atípicas, ou seja, daquelas em que o feto é gerado a partir de estupro, gravidez indesejada, ou até em casos em que o filho porventura é anencéfalo, percebemos que a relativização que muitos setores transmitem às massas como meio de tornar possível a prática do aborto em casos extremos. Vejamos o caso em que o feto por sua vez é gerado a partir do estupro, como foi o caso citado anteriormente: por mais que haja a concepção por meio de uma prática alheia e forçosa no que diz respeito ao voluntarismo e ao consentimento da mulher, nenhum elemento que por consequência acometeu a mãe pode ser utilizado para invalidar o desenvolvimento natural do ser que ali habita o útero da mãe. A fatalidade, por mais que possa trazer sequelas tanto no âmbito psicológico quanto no que diz respeito a violação física do corpo da mulher, contudo não pode se sustentar através de certas eventualidades como o estupro para validar a prática do aborto. Por mais que exista, por parte da mãe, o sofrimento psicológico ou o fardo de carregar o filho de alguém que a violentou, contudo este sofrimento nada tem a ver com a criança que porventura foi concebida fruto de uma relação que por sua vez não somente é bárbara como também é hedionda.


É evidente que o aborto nos casos de estupro tem sob sua tutela vários dramas éticos e morais envolvidos, mas será que ao invés de tomar a medida aparentemente mais fácil, que seria extirpar o filho para fora do ventre da mãe, não seria mais lógico criar mecanismos para que estes indivíduos sejam aceitos pela sociedade (seja por parte da família ou de uma instituição de caridade, ou até mesmo da igreja) ao invés do argumento fatal de que os indesejáveis não devem existir? Será que é ético apelar aos alardeados direitos femininos ou ao risco de matar-se a mãe sendo que o aborto tem os mesmíssimos riscos inclusive de matar uma jovem garotinha que porventura pode ser concebida no ventre de sua mãe? Será que o nascituro que paga pelos pecados do pai merece ser transformado em um indivíduo de segunda classe que, por ocasião, é tratado não como vítima, mas como parte de problema que por consequência acometeu a mãe? Será que a vida humana deve ser validada a partir do desejo de alguém e não do direito deste indivíduo, propriamente dito, de existir?


Naturalmente que para grande partes dos meus leitores estas são apenas perguntas retóricas, no entanto eu vejo que grande parte liberais abrem certas exceções à regra quando estes casos dizem respeito ao estupro, como se o direito à vida defendido pelos liberais fosse seletivo. Para estes, é preciso dizer: por mais que exista a concepção da criança por meio do estupro, contudo o ato nada tem a ver com o direito de se interromper o nascimento da criança e nada tem a ver com o direito de interromper o nascituro de ser resguardado e protegido pela família e até pelo próprio Estado. Ao que consta, muitos defensores do aborto neste caso, alardeiam a defesa das liberdades individuais e dos direitos do indivíduo sendo que, em contrapartida, não defendem o direito de existir daquele indivíduo que é o mais oprimido, mais odiado, mais prejudicado, mais estigmatizado e mais indesejado perante a opinião pública, que neste caso, é criança em desenvolvimento no ventre da mãe.


Por mais que seja um ponto de vista mais indigerível, já que trata-se da defesa de um ser menosprezado, apesar disso, é sempre benéfico constar que o argumento gerado a partir de uma condição circunstancial é sempre falho porque da feita que o indivíduo é gerado através de um ato que nada tem a ver com ele, então é doloroso, mas necessário afirmar que trata-se, portanto, de um indivíduo inocente. Justificar o aborto a partir de ocasionalidades envolvendo a violência (por piores que sejam) ou então a partir integridade física e mental da mãe que porventura sofreu o estupro é, no mínimo, deslegitimar a idoneidade e a inocência do indivíduo que foi concebido a partir desta relação até porque não me conste que seja moralmente legítimo matar um nascituro impoluto ainda que a mulher seja vítima de estupro já que o aborto em si nada tem a ver a ver com a situação que o gerou.

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