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Os Juízes Políticos das Redes

Atualizado: 13 de Ago de 2020



O voto é secreto, e não é à toa que deva ser, pois está a proteger-te dos juízes políticos que residem nas redes sociais. Algumas pessoas estão a julgar, sem nenhuma distinção, a todos os eleitores que votaram em Bolsonaro, mas isso não é o bastante. Além de fazer tal julgamento, eles estão a dizer que essas pessoas são responsáveis pela morte das cem mil pessoas vítimas da pandemia.


Esse raciocínio não é somente errôneo, mas é extremamente vil e ignóbil, e para justificar o meu argumento, pretendo estabelecer alguns princípios. O primeiro deles é: cada um responde por seus atos. Você está a votar em alguém por suas convicções singulares e demais objetivos. Eu, um mero eleitor, dotado dos mesmos direitos que você — inclusive o de escolha —, não tenho o direito de dizer em quem você deve ou não votar. Posso criticar tua escolha, isso é natural e aceitável, mas nunca interferir na sua liberdade de escolha. O arrependimento é singular, não opressivo.

O segundo princípio é a consequência. Todo o cidadão, ou melhor, todo indivíduo, responderá por sua escolha, sendo ela correta ou não. Mas eu respondo apenas pela minha escolha, não pelo erro de outros indivíduos — fortalecer o oposto é impreciso, desonesto e vil. Eu não posso responder pelos erros de meu vizinho, não posso responder pelos erros de meus semelhantes, falo e respondo apenas por mim.


O terceiro princípio envolve o que podemos fazer numa democracia, ou seja, quais são os limites de minhas ações. Se um indivíduo está a cometer qualquer tipo de crime, eu, como cidadão, não tenho poder nenhum para retirá-lo de lá. Nós elegemos os demais representantes dos poderes — exceto do STF — justamente para isso. Um poder deve conter o vício ou pecado de outro. Ora, o voto de alguém ajuda a colocar um indivíduo no poder, mas esse voto não garante sua permanência para sempre, isso depende de como esse representante está a agir.

Ninguém pode conceber, a priori, qualquer resultado futuro, especialmente em relação à humanidade. São diversos fatores que estão a atuar diretamente na conduta humana. Se fosse esse o caso, não poderíamos dar continuidade ao nosso ciclo reprodutivo, pois poderíamos gerar um novo “criminoso”. Mas é claro que uma declaração ou imputação como essa não tem como objetivo um exame mais profundo, pois está imbuída de puro ressentimento e ódio, está imbuída da pura vontade de julgar, de encontrar um culpado, de nomear-se carrasco atemporal da verdade absoluta.


Tal afirmação é tão irrelevante e desonesta, que talvez não fosse digna de um artigo para sua refutação: a afirmação é tola em si. Contudo, não resisti à tentação de defender o que acredito, que, além de ser uma obviedade, provavelmente será aceito pela maioria dos leitores deste artigo. Eu poderia concordar em dizer que existem eleitores lenientes e ignorantes, que aplaudem os gestos do presidente da República, mesmo sabendo que isso é completamente ridículo e reforçador. São seres que reforçam a contingência, mas somente o presidente pode responder por suas ações, assim como os demais membros dos poderes respondem por seus respectivos atos. Posso dizer que quem aplaude, ajuda e reforça esses atos nojentos, é tão desprezível quanto o presidente — acredito seriamente nisso. Tais espíritos respondem por sua leniência, assim como o presidente responde sua ignorância e desprezo pelas vidas humanas.


Por fim, há outros elementos que poderia elencar neste artigo, mas não pretendo aprofundar-me nessa questão. Esses juízes políticos são meros papagaios, perverteram os direitos de escolha e liberdade, sentindo-se verdadeiros virtuosos e soberanos do tempo. São aqueles que criticam os eleitores por sua escolha, sem nenhum exame mais profundo a não ser o próprio ódio, mas que fazem um churrasco no final de semana, que brindam suas taças refinadas e dizem: é tudo culpa do presidente, veja com ele está a agir na crise...



Examine-se, pois, o homem a si mesmo (Coríntios 11:28-34).


Por Renan Jorge

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