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Ou a Direita se Une, ou... ?

Atualizado: Jan 13


Ou a direita se une, ou... Essa parece uma frase expressa por um espírito desesperado? Talvez. O ultimato político de uma mente tomada por um medo latente: o retorno da esquerda. Essa é, provavelmente, a maior justificativa para os que desejam formar um verdadeiro emaranhado de aspirações políticas: os centros são confundidos com a direita, os extremos, também, mas o ideal de direita — que embora eu considere tão abstrato como o próprio termo — parece cada vez mais distante.


O terror eliciado por esse cenário político parece digno de ser manifesto? A contingência leva-me a crer que sim. Afinal, haveria algum outro motivo para expressar tamanho peso eleitoral de candidatos como Boulos e Manuela d'Ávila? Provavelmente, não. A contingência, nesse caso, tem nome e sobrenome: Jair Bolsonaro.


Claro, não seria prudente negar a existência de valores e interesses municipais: seria tolice se o espírito assim me conduzisse a pensar. Mas, de igual forma, penso eu, também seria tolice pensar que este "fator" não teve peso sobre o resultado das urnas.


Este grito de desespero já caiu nas graças do povo: seja por convicção, seja por repetição, a maioria das pessoas estão a torcer pela queda de Bolsonaro. Moldurado de igual preocupação, também estou a preocupar-me com quem tomará este lugar — embora a excitação humana preocupe-se somente com o prazer da queda de um inimigo.


Justificadas essas minhas preocupações, volto ao meu questionamento? A esquerda vem forte? Tão forte quanto a direita, eu diria, ou talvez mais.


Seria esse fator o motivo para unir a "direita"?


Infelizmente, caro leitor, eu não poderia dizer isso com toda certeza — embora eu reconheça, caso seja questionado sobre, que a direita precisa mudar em diversos aspectos. O fato é que uma força não cresce sem provocar o fortalecimento do lado oposto, então para mim fica clara a posição da esquerda, que, na verdade, contando com esse presidente que ai está, não precisa de grande esforço.


Mas o fato é que a esquerda está a abraçar um perfil mais engajado politicamente: os jovens. Jovem de direita não é apenas uma surpresa, é provavelmente um caso de tratamento psicológico. Não por preconceito, nada disso, mas a mente dos jovens é contaminada de esperanças e utopias vazias, coisas que nunca ocorrerão — exatamente como o sucesso do socialismo. Então, a meu ver, cabe muito bem o discurso socialista à mente juvenil.


Mas, se essa mera observação geral não lhe convence, caro leitor, talvez eu deva apelar ao cunho matemático. Durante o período eleitoral, Boulos foi mais popular entre o público jovem, especialmente nas redes sociais, assim apontou o data folha. O que se está a dizer? Que a direita pode dar adeus ao público jovem.


Pessimismo demais? Sim, confesso.


Ainda sou jovem demais para ser de direita, diriam esses espíritos, e isso pode ser verdade. Não foi o Scruton um dos primeiros a chamar — com razão — o conservadorismo de enfadonho?


Se era enfadonho para ele, eu imagino que para um "jovem consumidor de Felipe Neto" também seja. A diferença é que um desses personagens deixou um legado literário às demais gerações, já o outro...


Seja como for, ou a direita se une, ou ela será derrotada! Que direita, pergunto novamente? No Brasil, figuras como Bolsonaro são considerados — erroneamente — como de direita, então fico espantado com essa declaração. Além disso, a esquerda não está tão unida como se está a pensar. Apesar de utilizar a figura de Lula para angariar apoio político, o próprio Boulos foi alvo dos petistas mais ortodoxos. O motivo? Boulos teria pecado contra o socialismo ao capturar maior número de votos entre as altas classes — como se o PT não tivesse feito o natal dos banqueiros mais feliz.


Pode parecer que não respeito o ideal à esquerda — mas essa não é a verdade. Eu quero um país onde pessoas de esquerda e de direita possam conviver, dialogar, discutir, o problema é que a esquerda não deseja algo assim: a democracia só existe quando um socialista está no poder.


O "povo" só é motivo de alegria quando elege Boulos, Manuelas e Lulas, mas motivo de tristeza e tolice quando deseja alguém de direita no poder. "Os iludidos pobres de direita", como são chamados — como se ricos de esquerda fossem motivo de virtude para o berço socialista.


O veredicto foi dado: a esquerda está pegando suas malas e pretende residir outra vez em Brasília. Enquanto isso, comendo pelas beiradas, lá está um centro pouco notado, que não deseja entrar num conflito ideológico, mas apenas saber quem paga mais. Talvez o ultimato não deva ser direcionado à direita, mas aos eleitores:


Ou os eleitores acordam, ou permanecerão num sonho interminável. O sonho de que existe algo mais na política do que o próprio interesse. Por Renan Jorge

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