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“Ou se morre como herói, ou vive-se o bastante para se tornar o vilão”

Atualizado: 10 de Out de 2020



A trilogia do Batman de Christopher Nolan é uma das mais aclamadas pelos fãs. Na realidade, mesmo aqueles que não gostam de filmes de heróis não podem negar: foi uma verdadeira obra prima. Em especial, desejo falar do segundo filme desta série: Batman: o cavaleiro das trevas. Nele, temos um Batman desejoso em se aposentar para viver um grande romance. Contudo, ele está apegado à sua cidade, então, no afã de mantê-la segura, ele procura um herói sem máscara para tomar seu lugar. Sua escolha? O promotor Harvey Dent. Conhecido por seu grande trabalho à frente da promotoria, Harvey Dent combate o crime em Gotham com "unhas e dentes", chegando até mesmo, com a ajuda do próprio Batman e do Gordon, que viria a se tornar o comissário de polícia, a levar à justiça um conhecido criminoso internacional, bem como uma gama de representantes de um gigantesco esquema de corrupção. Num jantar formal com sua parceira e outros convidados, como Bruce Wayne (Batman), que promoveu este evento para avaliar a conduta do promotor numa possível substituição do morcego, Harvey diz o que é, talvez, uma das frases mais marcantes do filme:


“Ou se morre como herói, ou vive-se o bastante para se tornar o vilão”.


Essa frase tem efeito imediato na trama do filme, o leitor que me perdoe por este Spoiler, mas creio que boa parte das pessoas já viram este filme. Harvey perde a cabeça depois de ouvir as últimas palavras de sua amada, Rachel Dawes, que foi morta num plano do coringa. Além deste trágico ocorrido, o próprio Harvey, que foi atingido por uma explosão resultante do local onde foi preso pelo mesmo coringa, tem parte de seu corpo carbonizada, o que reforça a imagem do personagem refletida no conhecido personagem dos quadrinhos: duas caras. Harvey recebe a visita do coringa no hospital, que num verdadeiro toque de loucura e retórica, consegue trazer Harvey para o lado do "mal". O herói de Gotham, escolhido pelo próprio Batman para dar continuidade ao seu legado, deu sentido à própria frase: ele viveu o bastante para se tornar vilão.



Evidentemente, o Brasil não é Gotham, mas fica contaminado pelo crime a cada dia. Não temos um justiceiro mascarado andando pelas ruas à noite, temos apenas um forte desejo em por fim ao ciclo de corrupção que parece assombrar o espírito político. Bolsonaro também não é um Harvey Dent, mas prometeu, durante sua candidatura à presidência, combater a corrupção com todos os recursos possíveis, chegando a dizer que se não houvesse outra forma de governar, sem ter que negociar aos moldes do "toma lá, da cá", ele estaria fora. Contudo, com dois anos após sua vitória em 2018, só o que vemos é outro legítimo candidato do sistema falido, outro representante do que chamou de "velha política". Bolsonaro não teve nenhuma tragédia durante o caminho, não teve seu governo ameaçado por um palhaço do crime, mas agiu como um verdadeiro coringa, que quando se tira numa partida, perde-se o jogo. Bolsonaro, assim como Harvey, viveu para assistir a sua própria corrupção moral; viveu para ser chamado de "vilão". Bolsonaro não desejou enfrentar o sistema, ele apenas queria fazer parte dele, ele queria ter a falsa sensação de "agitar as cordas". No fundo, só o que Bolsonaro pretende, como ele mesmo revelou naquela reunião comprometedora, é proteger os filhos e amigos, mesmo que isso custe acabar com o país. Assim como Harvey rendeu-se à loucura, Bolsonaro rendeu-se ao centrão, formando laços com petistas e seus aliados, que outrora foram considerados seus "adversários políticos". Sua nova nomeação ao STF, a visita a Dias Toffoli fora da agenda no que parece ser um encontro caloroso entre "amigos", mostrou seu verdadeiro compromisso em relação ao combate à corrupção: sair impune.


O fim de Harvey, como muitos já sabem, é realmente lamentável, e o próprio Batman encarregou-se de levar a culpa. Para ele, a imagem do Harvey, o herói de Gotham, deveria ser mantida, enquanto ele agiria nas sombras, levando para si o peso da culpa: ele seria o cavaleiro das trevas. Parece-me que, em relação ao Brasil, Bolsonaro é o cavaleiro das trevas, não num sentido heroico como o do personagem dos quadrinhos, mas em relação à sua ambição desenfreada por poder. Quando desesperada e tomada pelo crime, Gotham envia um sinal de morcego ao céu; não temos este refletor, mas o sinal de esperança está estampado no espírito Brasileiro, quando em razão de uma política mais cética e prudente, estivermos diante de uma nova oportunidade para não eleger "novos mitos e heróis", mas homens de virtudes e verdadeiros valores morais. Renan Jorge

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