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Parabéns Sérgio Moro, mas pelo quê?

Escrito por: @_Conservador



Hoje, dia 1º de agosto de 2020, o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro completa 48 anos de idade. Dirijo-me aos nossos leitores, que em grande parte apoiam as atitudes e o trabalho do doutor Moro, para parabenizá-lo, em conjunto, tanto pelas suas atuações como juiz na Operação Lava-Jato e como Ministro da Justiça e Segurança Pública no combate, como ele mesmo diz, à criminalidade violenta e ao crime organizado em geral quanto pelo seu aniversário propriamente dito.


Dito isto, pretendo discorrer, através deste artigo, alguns dos atos mais importantes da carreira de Moro, enquanto juiz e ministro, relacionados ao combate à corrupção e a outros eventuais problemas que tanto afligem e assolam os cidadãos brasileiros no que diz respeito ao sentimento de impunidade que porventura se tornou tão comum no decorrer dos últimos anos:


Melhora das Estatísticas Criminais do Brasil


Sob a sua gestão enquanto Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, em trabalho conjunto com as forças federais, estaduais, distritais e municipais, conseguiram obter melhoras drásticas nos dados relacionados à criminalidade violenta, roubos e outros delitos cometidos por criminosos. Os dados formulados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e averiguados pela SINESP mostram que: dos 9 delitos mencionados no estudo, todos eles, de homicídio doloso a roubo de veículos, mostraram melhoras significativas se comparados ao ano anterior à pesquisa:


Dentre as melhoras, consistem: homicídios dolosos (-19%); latrocínio (-22,7%); roubos à instituição financeira (-41,1%); roubo de veículo (-25,6 %); roubo de carga (-20,6%); furto de veículos (-10,9%); tentativa de homicídio (-5,5%); lesão corporal seguida de morte (-5,6%); estupro (-4,3%).


Fonte(s): SINESP (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de Armas e Munições, de Material Genético, de Digitais e de Drogas) e MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública)


Condenação de 140 Políticos e Empresários


Desde 2014, ano em que a Operação Lava-Jato recebeu maior atenção por parte da mídia, a 13ª Vara Federal de Curitiba foi responsável pelos casos que envolviam pessoas sem foro privilegiado. Sérgio Moro, depois de autorizar a primeira fase da operação, em março daquele ano, condenou pelo menos 140 pessoas, incluindo pessoas dos mais altos cargos das elites política e financeira, que, somadas as penas, resultam em mais de 2.000 anos de prisão. Dentre esses famigerados nomes, estão:


- O ex-ministro José Dirceu (32 anos);


- O ex-ministro Antonio Palocci (12 anos e 2 meses);


- O empresário Marcelo Odebrecht (29 anos e 4 meses);


- Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (9 anos e 6 meses de prisão);



A Prisão do Ex-Presidente Lula



Talvez esse seja o momento mais célebre da Operação Lava-Jato. Mais do que uma simples condenação, a prisão do Lula representava (e representa até hoje) a indignação de grande parte do povo brasileiro para com a classe política e a ruptura mais recente de um sistema político completamente decante em que os representantes eleitos pelo povo servem, não apenas a si mesmos, mas a interesses corporativos e a interesses privados visando suborno, propina, reeleição e até perpetuação no poder visando a garantia da sua própria liberdade através de leis que dificultam e atrasam as medidas legais que, porventura, poderiam vir a serem utilizadas para condená-los no futuro. Tais medidas incluem o Juiz de Garantias, a Lei de Abuso de Autoridade, a dificultação da delação premiada, financiamento de advogados com fundo partidário e até revogação da prisão em 2ª Instância (que foi o mecanismo utilizado para soltar Lula, sem obviamente isentá-lo de todos os crimes que o ex-presidente cometeu).


Junto a essa indignação, surgiram, é claro, os movimentos pró-Lava-Jato e os admiradores da figura e da coragem de Sérgio Moro devido ao seu enfrentamento a esta casta política e financeira desonesta que tanto vilipendia da boa vontade daqueles que, por excelência, gostariam que se fizesse justiça contra estes mais de 140 criminosos condenados pelo ex-juiz. Embora haja sim alguns aspectos de idolatria por parte de alguns admiradores do trabalho de Moro e da Polícia Federal, não se pode negar que há uma certa indignação coletiva de certos grupos da chamada Direita-Brasileira (com exceção dos bolsonaristas que revelaram sua antipatia a Sérgio Moro) para com esses tipos de crimes provenientes de figuras públicas e grandes empresários atuando em conchavo com os governos do PT.


É notável que, depois da acusação de ocultação de patrimônio (do triplex no Guarujá), recebida como propina da empreiteira OAS em troca de favores na Petrobras e das condenações de Lula em 2ª e 3ª Instância, o trabalho da Lava-Jato fora corroborado pelo trabalho em conjunto do MPF com os membros das mais altas cortes do Judiciário provando para o público que a figura do ex-presidente representa nada mais do que a mediocridade de um ser tão vil que visa apenas o benefício próprio e o de seus apadrinhados, mesmo sendo conclamado com o mais alto cargo da República Federativa do Brasil, como também a indecência e a derrocada da moralidade por partes da elite política, revelando também a imoralidade de parte do povo brasileiro, já que muito ainda acreditam na inocência de Lula mesmo depois de todas condenações e de todas as provas que foram coletadas e corroboradas por todas as instâncias do Judiciário. Este, infelizmente, é o caminho que muitos apoiadores do presidente da República estão tomando já que tudo indica que o ídolo de pó que construíram se encontra em desmanche devido aos seus inúmeros escárnios de Bolsonaro frente à opinião pública.


Vemos que, mais uma vez, uma grande parcela da população volta a cometer os mesmos erros do passado, erros estes que os apoiadores de Jair Bolsonaro juraram combater. Mais uma vez, nos encontramos em uma situação em que o cidadão que desconfia da classe política sai prejudicado e os idólatras juntamente com o poder-político saem aclamados. Enquanto a Lava-Jato possuir como princípio básico o combate a esta classe baseando-se na indistinção perante a lei, independente do posicionamento político a que se submeter o réu, seguindo os processos legais e democráticos visando lidar com todo e qualquer descaso e ilegalidade remetendo a coisa pública, não me resta nada além de apoiá-la.


Parabéns, Sérgio Moro.





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