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Populismo Não é Crime, mas Ato de Desespero

Atualizado: Jan 13


Populismo não é crime; a priori, isto é verdade. O populismo é uma condição que atende aos desejos narcísicos de ambas as partes: do idolatrado, que busca nas massas um sentido para sua existência, e dos que idolatram-no, que buscam um “deus” para repousar os afagos de seus espíritos malconduzidos. Porém, diferente dos espíritos mais otimistas, vivo a pensar que o populismo não é tão incomum como afirmam alguns, e estou certo ao dizer que não teríamos uma lista satisfatória com o nome de políticos que nunca se entregaram a ele. Seja como for, precisamos das massas para lograr êxito numa democracia representativa, mas parece existir, graças à contingência, um limite razoável para o populismo. Ora, se as massas são uma espécie de júri inviolável e indiscutível, não faria o menor sentido promover a criação de um parlamento para mediar a fonte de seus desejos.

Eis o principal motivo para assumir a posição de que nem sempre a vontade da maioria é a mais adequada, porque as massas não são nada além de um número maior de espíritos, vezes errantes e desgovernados. Agora, numa pandemia o cenário muda? Poder-se-á dizer que sim. Ora, essa foi a principal afirmação positiva para o problema chamado “Bolsonaro”, que, num mergulho junto aos seus apoiadores, trouxe à mente a lembrança de uma figura que não teve um fim louvável ao praticar o mesmo ato: Mussolini. Eu, porém, não tenho a menor intenção em prolongar-me nesta analogia. Em primeiro lugar, porque não acho que a praia seja responsável por fabricar líderes loucos e tirânicos; em segundo lugar, porque não acho que Bolsonaro foi o único delinquente a mergulhar pelas praias brasileiras. Descartando a hipótese de que o presidente seja apenas um “eliciador do mal”, resta-nos inferir sobre a primeira motivação geral de qualquer líder populista: fortalecer o próprio ego. Aplicar-se-á o exemplo ao presidente? Sim. Cercado de críticas por todos os veículos de informação, o presidente não suporta qualquer opinião negativa à imagem abstrata que plantou de sua figura: um liberal-conservador. Estagnado em 2018, sua vitória naquele ano parece acompanhá-lo até os dias de hoje, feito que alguns bolsonaristas costumam evocar para fugir da realidade, o transparente cenário onde a única coisa que o presidente consegue abstrair da maioria das pessoas é o desprezo.

Mas a verdade é o último objetivo a ser alcançado entre os populistas, do contrário esses senhores jamais recorreriam ao calor das massas para aquecer seus espíritos. Banhar-se na praia, em plena pandemia, é um ato de desespero, uma forma de iludir a si mesmo e aos outros, com o objetivo de transpassar um “apreço popular”. Não se está a falar num ato para agradar a todos — feito que o próprio Cristo não alcançou; mas agir do modo como se está a agir, esperando algum favor do povo que ele mesmo está a desprezar, negligenciado a pandemia e suas vítimas, tudo isso é tolice.

Voltar com uma postura mais “nobre”, portanto, seria o suicídio da própria imagem, a contradição após a convicção de que a pandemia “não era tudo isso”, ou seja, a atuação de um papel para o qual ele mesmo não creditou confiança. Surpreender-me-ia, mesmo diante deste exemplo, com a aprovação de seus vassalos? Não. Afinal, vassalos servem exclusivamente para atender aos desejos de seu suserano, e isso os Bolsonaristas fazem muito bem. A provocação “Brasília tem algum presidente” nunca pôde ser respondida com tanta facilidade. É evidente que existe presidente em Brasília, assim como governador em São Paulo, candidato à prefeitura, entre outros exemplos; a sátira na pergunta residente justamente em sua essência: o fato é que eles não se importam. Por Renan Jorge

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