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Quem Romantiza o Extremismo à Esquerda não tem o Direito de Reclamar do Extremismo à Direita


A covid-19 despertou duas patologias: uma de efeito biológico, a outra, de efeito político. O problema? Poucos assumem essa posição. Quando se está a negar uma doença — obviamente — a tendência é que ela aumente vertiginosamente, e foi exatamente o que aconteceu. O bolsonarismo foi o primeiro a negar a existência da covid-19, e os que não fizeram isso recorreram à diminuição. Primeiro, não seria tão grave assim, depois, não passaria de alguns meses. Agora, ninguém sabe ao certo quanto tempo essa doença ficará em nosso solo — e, nesse caso, estou a falar nos dois efeitos.


Se isso já não fosse ruim o bastante, logo o bolsonarismo resolveu ir às ruas para manifestar seu apoio ao presidente da República, bem como protestar contra o "isolamento social" que estava a ocorrer. A esquerda, a grande mídia e os mais prestigiados meios de comunicação fizeram o mesmo. Todos acharam absurdo um negacionismo como o do bolsonarismo. A história termina aqui? Não.


O movimento "Black Lives Matter", que começou como um protesto, e terminou como uma espécie de vandalismo organizado, logo foi abraçado pela esquerda. De repente, quando ele chegou ao Brasil, vinculando-se às manifestações contra Bolsonaro, a pandemia ficou esquecida. As máscaras foram um pretexto para camuflar uma falsa preocupação com a crise, mas a verdade é que a máscara de rosto não foi a única utiliza por esses militantes. A verdadeira máscara foi a manifestação em prol da mudança, para o fim da injustiça, da desigualdade, do extremismo, o fogo provocado por esses espíritos foi maior do que se esperava.


Quando a poeira abaixou, lá estavam os militantes a protestar contra os delírios do presidente, contra o seu extremismo e negacionismo — o que é completamente verdadeiro. Contudo, o aroma da hipocrisia pode ser percebido, mas a ideologia falou mais alto.


Tudo voltou ao normal, e o progressismo, paladino da moral, está a pintar-se como grande movimento solidário. Ora, quem romantizou ambas as manifestações, ambos os movimentos — por mais revoltante que fosse a situação —, abraçou o extremismo, delegando ao adversário o direito de ser extremo. Parece confuso? Talvez. Com que coragem os esquerdistas podem criticar o presidente; e o presidente, igualmente enrascado, o que poderia dizer? Nada.


Um não pode falar sobre o outro — na linguagem da moral — porque ambos foram extremos. O problema aqui não é o lado (esquerda ou direita), o real problema é o que está a mover esses lados (o extremismo). Quem romantiza o extremismo não pode questionar o reflexo de sua imagem, essa é a grande verdade. No extremo, aquela presunção de assertividade está imersa na tolice de sua posição. Nesse caso, pouco importa quem foi em nome de qual lado.


Não podemos nos enganar, mesmo o extremo tem suas "justificativas". Quem for questionado dirá: mas fui em nome do bem maior, fui para libertá-los, fui em nome da paz, mas estas expressões não passam de um grito de guerra. A "extrema-direita" — posição política atribuída ao bolsonaro —, mesmo não concordando com fato de considerar bolsonaro à direita, não pode ter sua imagem viciosa contrariada pela esquerda, pois a esquerda é igualmente pecadora.


Essas posições são verdadeiras crias de tubarões, que, no útero, devoram uns aos outros, resultando no seu trágico fim histórico: a destruição. Essas posições, pelo menos no Brasil, combater-se-ão por mais um tempo, e quando chegar o momento oportuno — numa eleição — acusarão seus inimigos de negligência. Extremo de um lado, extremo de outro, o vírus torna-se cada vez mais político.


Por Renan Jorge

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