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Rodrigo Maia Está a Brincar



Rodrigo Maia está a brincar de presidente da câmara. Em sua mente, tal ofício é como dirigir tarefas singulares e caseiras. Ele acha que não deve respeito a ninguém, mas exige respeito de todos. O seu último ato comediante foi convidar o influencer digital Felipe Neto para “melhorar e discutir” o PL que está na câmara. O projeto em questão é o PL 2.630/2020, que trata do combate às fake news.


Em primeiro lugar, espanta-me que algo tão desnecessário esteja a ser criado, já que, em nosso código penal, temos artigos suficientes para tratar crimes de calúnia, difamação, entre outros. Contudo, o objetivo deste artigo não é esse, por isso limito-me a não tecer mais comentários sobre o caso.


Rodrigo Maia, neste mesmo ano, quando estávamos no início da crise pandêmica, não levou à votação a emenda do partido Novo que destinaria os recursos do fundão e do fundo partidário para o combate à COVID-19 e também a emenda da redução dos salários de políticos e de outros membros da alta elite do funcionalismo público. O mesmo Rodrigo Maia descartou a possibilidade de votar o impeachment do presidente Bolsonaro, chegando a dizer:


“Não é hora de discutir impeachment, mas a união do Brasil, salvar vidas e empregos”.


Ora, que tipo de pessoa diz que é hora de salvar vidas e empregos, mas impede uma votação para tal finalidade? Como consegue conservar o próprio espírito e o sorriso no rosto, quando está a mentir para a população? Apresenta-se como alguém preocupado com o povo, mas o esfaqueia pelas costas, pois não consegue abrir mão dos privilégios que possui, mesmo quando o próprio povo o fez. Permite que o presidente Bolsonaro continue a promover aglomerações, a desdenhar do vírus, a demonstrar desrespeito pelas famílias das vítimas. Qual é o momento para votar algo desse porte, quando a pandemia chegar ao fim?


Este senhor, caso Bolsonaro venha cair, será o primeiro a vangloriar-se pela queda, será o primeiro a dizer que trabalhou arduamente pelo Brasil, será o primeiro a dizer que estava a preocupar-se com todos nós, mas que não poderia fazer muita coisa: mas, assim como todos que estão a apoiar este senhor, Rodrigo Maia não passa de um cúmplice consciente e reforçador do comportamento do presidente.


Quando este senhor está a chamar alguém como Felipe Neto para opinar em tal projeto — que, com todo respeito, deveria ater-se a tarefas infantis —, ele está a condecorar publicamente este senhor, está a dizer: o povo não pode opinar diretamente, só o Felipe Neto. Qual é o cargo que este senhor ocupa? Ora, se estamos a votar em representantes, queremos que esses representantes atuem no meio político — não aproveitadores que estão a crescer só pelo fracasso de um presidente igualmente aproveitador. Não precisamos do aprimoramento de alguém tão insignificante. Por Deus! o que está a ocorrer em política? Qual a necessidade de chamar alguém deste perfil para opinar neste projeto? E, se isso já não fosse absurdo por si só, ele está a convidar, para opinar num projeto de fake news, alguém que foi condenado por fake news. Que diferença há entre este senhor opinar e melhorar este projeto, e Lula opinar sobre o combate à corrupção? Nenhuma — não pelos crimes, obviamente, mas pela condenação em seus respectivos delitos.


Rodrigo Maia é o presidente que não permite, de modo autoritário e ditador, sem nenhuma justificativa lógica, a votação de um projeto elaborado por um deputado — ai sim, eleito para tal finalidade— , mas permite o palpite e melhoramento de alguém como Felipe Neto. Um ditador disfarçado de político, outro espírito a fazer da política seu domínio privado. Não ficaria surpreso se este senhor entrasse no meio político, afinal, o Brasileiro elege o tiririca para cargo público.


Por Renan Jorge

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