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Romeu e Julieta, ou Pedofilia? O Brasileiro Romantiza Absurdos




"O amor dos jovens, em verdade, não está nos corações, mas, de preferência, nos olhos". Frei Lourenço (Romeu e Julieta, de William Shakespeare).


Um adulto de 19 anos, uma menina de 12 anos, um caso de amor? Uma recente união formada por um casal com as idades mencionadas, incendiou as redes sociais e levantou, na celeuma deste caso, uma grande discussão em torno da pedofilia. Um caso de amor, ou um crime indefensável? Pode parecer uma pergunta de fácil resposta, mas há quem diga que trata-se apenas de um caso de amor entre jovens. Será?


É inútil, a meu ver, tratar do aspecto legal, pois, como já tratado no código penal e no estatuto da criança e do adolescente, não há dúvidas de que trata-se de um caso de pedofilia. Nesse caso, o mais assustador não é a consciência do ato, mas a defesa, mesmo dentre os familiares, desse caso de loucura.


Um dos primeiros homens a tratar deste assunto? William Shakespeare

Entre os jovens, a obra Romeu e Julieta pode ser considerada uma história de amor, mas os conhecedores das peças de Shakespeare sabem, verdadeiramente, que a obra de Romeu e Julieta é, na verdade, uma terrível tragédia. Amor, ódio, tragédia, culpa, violência, todas as reações humanas contidas numa obra tão magistral. Julieta, segundo relatado na própria obra, tinha a idade de 13 anos, enquanto Romeu, 17. À época, esse tipo de união era aceitável — é válido lembrar que o próprio Pai de Julieta, após a morte de seu primo, preparava o casamento de sua filha com um lorde. Hoje, é claro, um relacionamento desse tipo não seria apreciável.


O que Shakespeare tentou representar com o relacionamento desenfreado de Romeu e Julieta? Digo-lhes que extrai, da obra, três lições.

Em primeiro lugar, que o amor dos jovens é inconsequente. Com isso estou a dizer que, nesse exemplo atual, eles se amam? Eu não sou capaz de saber. Ninguém é capaz de absorver todas os sentimentos e reações bioquímicas, de maneira que se diga: isso não está a ocorrer. Ora, além de algo impossível de mensurar, é perda de tempo tentar discutir se eles se amam ou não — isso não é relevante. A ideia é tentar compreender em qual idade os indivíduos são completamente capazes de fazer suas próprios escolhas e, portanto, lidar com elas. Shakespeare queria demonstrar que o amor dos jovens é completamente mutável e instável. Como? Vale lembrar que o próprio Romeu não era, a priori, apaixonado por Julieta, mas por Rosalina. "O sol ainda não limpou o céu dos teus suspiros, teus antigos gemidos repercutem ainda em meus velhos ouvidos; sobre tua face aparece a marca de uma antiga lágrima que ainda não foi limpa"; com essas palavras Frei Lourenço, franciscano e confidente de Romeu, diz a ele que seu amor é mutável e imprevisível.


Em segundo lugar, o objetivo de Shakespeare foi mostrar que o ódio só pode trazer consequência nefastas, posto que o ódio entre os capuletos e montecchios levou à morte os seus respectivos filhos: Romeu e Julieta. A terceira e última lição, é claro, que nem sempre é prudente seguir o coração. Se não fosse esse o caso, Romeu e Julieta ainda estariam vivos.


Evidentemente, o caso atual deve ser considerado como algo inconsequente e inapropriado, tendo em vista que a menina de 12 anos, sem dúvida nenhuma, é incapaz de decidir ter ou não um relacionamento sério. Contudo, a meu ver, o problema vai muito além desse caso, trata-se de algo cultural. No Brasil, não é difícil encontrar meninas de 13/14 anos, consideradas crianças, evidentemente, carregando, desde cedo, outra criança: gravidez precoce. As relações sexuais foram romantizadas, os relacionamentos acontecem cada vez mais cedo, e a única coisa que importa para algumas pessoas é o "consentimento dos pais", "a liberdade de escolha". Não é difícil encontrar, nas mais variadas plataformas, mensagens de orgulho por uma gravidez precoce, mensagens de aceitação incondicional. Por outro lado, alguns pais delegam toda responsabilidade à escola, como se fosse papel da escola ter compromisso paternal com o aluno. A realidade é que o Brasil é um péssimo exemplo cultural. Sexo, hoje, não é um tipo de assunto para abordar implicitamente; por aqui, ele está em diversas músicas, está a um clique num celular de um jovem. O fato é que os jovens estão consumindo produtos erotizados. Ora, como se espera evitar o sexo precoce, quando se está a considerar o sexo um subproduto cultural? O Brasil foi erotizado, em todos os sentidos, por isso existem pessoas defendendo até esse absurdo, por isso existem pessoas que acham isso "normal".


Certamente o caso atual não é uma peça teatral, mas um motivo para uma grande vergonha — especialmente para os pais. Uma verdadeira tragédia, em todos os sentidos. Tragédia pelo ato em si, tragédia por aqueles que romantizam esse relacionamento, tragédia por aqueles que transformaram o Brasil num país de libertinagem. A tolice excede os limites do aceitável, este vem a ser um novo caso.


Renan Jorge

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