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Se Moro Não Incomoda, Por Que Atacá-lo?



O Bolsonarismo está a exibir-se pelas redes sociais, porque o presidente Bolsonaro, em recente pesquisa, está em primeiro lugar. Sobrou até mesmo para Sérgio Moro, que, segundo essa mesma turma, não oferece perigo. Contudo, se Moro não oferece perigo, por que atacá-lo?


Ao ingressar na revista Crusoé, Moro sofreu diversos ataques de militantes Bolsonaristas. O motivo? Sua saída do governo e declarações em dissonância com o presidente. A cólera da militância pró-governo ficou aparente, seus deslikes e compartilhamentos tomaram conta das redes sociais. Uma narrativa ficou: Moro virou um blogueiro, não está a incomodar. Entretanto, esse comportamento organizado em tentar manchar a imagem de Moro é, na verdade, o exato oposto do que é defendido verbalmente. Um inimigo que não oferece perigo não deveria, ao menos em teoria, ser considerado um inimigo.


Foge à mente desses espíritos mais ansiosos, o fato das pesquisas serem pontuais com relação ao aumento do apoio pró-governo. O instituto Paraná pesquisas, por exemplo, deixa bem claro que o apoio em regiões mais carentes dar-se-á pela aplicação do auxilio emergencial, que nem sequer foi do desejo do governo que, como se sabe, desejava pagar à população a quantia de 200,00 reais. A oposição fez frente ao governo e lutou para aumentar o valor em 600,00 reais. Mas, como já esperado, o presidente furtou a glória para si. Além disso, cabe ressaltar que Moro aparece como segundo lugar em alguns Estados, mesmo sem grandes esforços. Vale lembrar que Moro nem ao menos declarou ser candidato à presidência — mesmo que isso pareça muito improvável. Noutras palavras, a contingência é o fator que influi no resultado da pesquisa, e o governo Federal não goza de mérito algum nesse período tão sombrio.


O Bolsonarismo está a afundar em sua própria miséria moral: eles não conseguem manter uma posição coerente e lógica. Seus discursos são incongruentes, como os da deputada Carla Zambelli, que disse à jovem pan "o Brasileiro não perdoa traidores" — mencionando o nome de Moro. Ora, não perdoa "traidores", mas perdoa corruptos, como Roberto Jefferson? Trata-se de um movimento tão pífio, que sua relevância dar-se-á apenas pelo poder que ocupa — sem isso, eles seriam tão relevantes quanto o Psol.


A realidade é que Moro não é apenas um grande adversário; ele é a personificação de herói no inconsciente Bolsonarista. Vale lembrar que o mesmo Moro, até o ano passado, era um herói para esses militantes. Esses ataques atuais são frutos do ressentimento de um grupo que nada tem a oferecer, apenas o ódio que domina seus corações. O caso é do interesse de qualquer psicanalista, que provavelmente identificaria uma espécie de formação reativa. O deslocamento do arquétipo de herói para os fanáticos foi de Moro para Roberto Jefferson. A diferença entre esses espíritos não é só moral e ética, mas judicial: Moro não foi condenado pelo STF.


Por Renan Jorge

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