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O que os grupos pró-Moro precisam para fazer a diferença


Grupos pró-Moro, até o momento, são os grupos que mais defenderam a operação Lava Jato das ambições arbitrárias de seus inimigos. A união entre esses grupos é esperançosa e animadora. Contudo, para não desviar-se do bom caminho, é preciso prudência e uma boa dose de ceticismo político. Com sua licença, apresentarei alguns erros que acho importante evitar.


Idolatria política


Lembrem-se de que todos os humanos são imperfeitos. Para não amarrar-se nas cordas idólatras, como o petismo e o Bolsonarismo fizeram, é necessário lembrar deste princípio. Estamos a buscar aliados, não deuses. A idolatria leva ao exame relativista de princípios éticos e morais: basta olhar para os movimentos mencionados. Duvidar dessa capacidade humana não é sinônimo de fraqueza, pelo contrário: é algo que, num cenário tão perturbado e emaranhado como esse, pode fazer toda diferença.


Radicalismo


Todos os movimentos idólatras partilham de algo em comum: o radicalismo. Ofender gratuitamente seus adversários, demonstrar ódio apenas pela existência do contraditório, considerar-se dono da verdade absoluta: isso não pode acontecer. Nem sempre estamos certos, ou melhor, nem sempre os nossos aliados estarão corretos: eles cometerão erros. Tudo depende do modo como vamos lidar com a situação: podemos condená-los à forca, podemos ser prudentes e analisar a situação, mas também podemos ser mansos e aceitar tudo o que vem de suas bocas: qual vocês desses vocês escolhem?


Não sejam seletivos


Os movimentos radicais são seletivos: não defendem pautas, defendem interesses. Não importa se o teu adversário político foi quem sofreu o abuso ou algo indevido: defenda-o, a sua vez pode chegar. Um grupo que segue verdadeiros princípios destacar-se-á por suas virtudes. Caso incorram nesse erro, não haverá nenhuma diferença entre vocês e os demais grupos.


A justiça deve ser para todos


Se um de seus aliados incorrer em crime de corrupção e semelhantes, manifestem indignação: eles não têm salvo-conduto para praticar tal ato. Uma vez no poder, todos os atos são monitorados, seja pelo poder público, seja pela mídia, seja pelo povo: enfim, como tudo deve ser. Todos olharão para o que foi prometido em campanha, para o que foi alavancado durante o período eleitoral, noutras palavras, eles estarão atentos. O tempo é o exame infalível para identificar mentirosos, lembrem-se disso.


Monitorem seus candidatos


Parece um clichê de campanha, mas se largares o teu candidato, ele também largará você. Monitore seus passos, veja o que ele sanciona, o que ele veta, não limite-se à mídia de seu interesse: busque outras fontes. O erro dos extremistas é comer num único prato, mas esse prato pode estar com rachaduras — ele vai quebrar.


Campanha? Só em época de eleição


Rejeite essa ideia de "populismo barato": é uma das coisas mais repulsivas em política. Políticos nada mais são do que pessoas, não os tornem presunçosos: eles foram eleitos para trabalhar, não para viver em campanha. Manifeste contentamento quando for preciso, critique quando necessário — acredite, esse dia chegará. A melhor campanha é o trabalho eficiente.


Aceitem as críticas


Todos grupos cometem erros e excessos — isso é natural. Quando for o caso, reflitam. A oposição não é uma serpente de más intenções: ela pode estar certa às vezes. A harmonia existe para isso: um grupo deve conter os excessos do outro. Se chegar o dia em que o vosso grupo cometeu o erro de estar acima de qualquer crítica, este mesmo autor — apesar de minhas inúmeras limitações — estará aqui para mostrar.


Sejam pacientes


Ninguém mudará o país em quatro anos: é preciso paciência. Ser paciente não é ser negligente, não é dizer que os fins justificam os meios, ser paciente é reconhecer que nós não mudaremos tudo: talvez nem estaremos vivos para colher os frutos de nosso esforço. Leva tempo para alcançar objetivos grandiosos — e, em alguns casos, não conquistaremos tudo em absoluto. Contudo, grupos políticos não podem contar com a bondade alheia: a maior parte está movida por interesses escusos. Fujam disso! Nada de bom trará ao vosso movimento. Não transfiram a luta de vocês às pessoas, nem aos grupos, nem a ninguém: a luta é de vocês, e se bem trabalhada em seu princípio, poderá ser legada à posteridade.


De um reformador e humilde escritor: Renan Jorge.

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