• @UsConservadores

Trump vs Biden: o Brasileiro não Soube Ler este Cenário

Atualizado: 10 de Nov de 2020


Não tenho nenhuma vergonha em admitir que, comparado a outros cenários, pouco conheço sobre a política norte-americana. Num tom amistoso com amigos, cheguei a dizer que boa parte dos meus conhecimentos em relação aos candidatos emergiam do desenho South Park, não recomendado àqueles "casados com seus candidatos". Entretanto, mesmo reconhecendo que minhas análises são fruto de um conjunto de fatores interpretados midiaticamente, uma vez que essas informações nos chegam através da imprensa, percebo que há muita paixão e ódio, modelados indevidamente, no que diz respeito à eleição americana. De um lado temos os que estão a amar o candidato Donald Trump, simplesmente porque ele corresponde aos interesses do bolsonarismo. Imitando os gestos do presidente Bolsonaro, esses senhores estão a pensar que Trump é a melhor opção porque o presidente os faz pensar assim — o que é, como toda paixão política, um erro. Por outro lado, se a paixão política pode levar ao fanatismo, o ódio pode suscitar, com o mesmo potencial, o comportamento avesso. Essa interpretação explica, por exemplo, porque existem pessoas fazendo oposição ao Trump e, portanto, campanha ao Biden, pelo mesmo motivo que norteia a escolha bolsonarista. Nesse cenário catastrófico, temos uma única figura — o presidente — mobilizando, ao mesmo tempo, dois movimentos distintos: um positivo, o outro, negativo. Conclusão? Para Trump, o fenômeno Bolsonaro consegue beneficiar e prejudicar a sua imagem. Basta observar o que disse a mídia mundialmente. Para o Washington Post, por exemplo, Bolsonaro foi considerado o pior líder mundial a lidar com o coronavírus. É possível imaginar o impacto, para Trump, numa amizade declarada com o presidente. Biden, por outro lado, explorou as atitudes de Trump na condução da pandemia, o que também favoreceu o seu crescimento politicamente. Vale lembrar, também, que no mesmo ano de 2020, o temível impeachment quase visitou o lar de Trump. Em outras palavras, Trump lidou com um problema de imagem, e a oposição, como em todo lugar no mundo, soube explorar esses fatores. Contudo, voltando ao tema inicial deste ensaio, o que falhou no exame de nós, brasileiros, em relação à eleição norte-americana? A meu ver, fazer da realidade brasileira a política internacional. Ora, como cheguei a dizer no meu perfil, Trump não é Bolsonaro, Biden não é haddad e o Brasil não representa os Estados Unidos. Esse foi o grande erro. A oposição amou Biden por ódio ao Bolsonaro, e o bolsonarismo declarou amores ao Trump pelo mesmo motivo. Em termos de análise, nada passou de uma leitura errônea e desequilibrada, como se tudo fosse reflexo de nossa realidade: não é. Uma obviedade? Poder-se-á dizer que sim, mas se chegamos ao ponto em que dizer o óbvio é necessário porque nossos irmãos não são capazes de tal distinção, certamente este é um sintoma de um mal ainda pior: a tolice. Ou seja, além de lidar com esse fato ruim o bastante, devemos tomar cuidado para que o mesmo não ocorra em futuras eleições no Brasil, onde seremos levados à crença de que qualquer um serve para retirar o presidente do poder. E, como é sempre bom destacar, isso já está ocorrendo no âmbito municipal, onde, por exemplo, as pessoas pretendem votar em Russomanno apenas por declarar apoio ao Bolsonaro — assim como as pessoas podem ser levadas a votar contra pelo mesmo motivo. Não estou a dizer em quem as pessoas devem votar, nada disso. Estou a expor a mentalidade por trás de cada escolha. Amor e ódio são sensações teatrais, que quando bem trabalhadas, emocionam, encantam e aterrorizam, mas devem limitar-se à vida singular e aos palcos e às páginas de um ótimo livro. Na política, a reação é perigosa, indesejável e destrutiva. Esse erro, esse ódio, esse amor, essa paixão, tudo isso pode fugir das redes sociais para invadir os nosso lares, nossos comércios, nossas ruas, nossa paz. A Política está deixando de ser ciência para ocupar espaço no campo sentimental, lugar que deveria ser reservado às artes. Como ensaia o cientista político João Pereira Coutinho, essas discussões só podem ser travadas quando se está eticamente resolvido. É curioso, porém, como se está a almejar a guerra, o caos e a desordem, para depois fazer a grande pergunta filosófica: o que estamos fazendo? Como chegamos até aqui? A típica pergunta de quem não conhece o passado, ignora o presente e despreza o futuro.


Por Renan Jorge

33 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Receba Nossos Artigos:

Os Conservadores © 2020