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Uma Imprensa Imparcial?

Atualizado: 10 de Nov de 2020


Quando se tem um veículo de informação à esquerda, as pessoas à direita pedirão imparcialidade; e o contrário também ocorrerá caso a situação seja invertida. Agora, questionar-se-ia os aspectos políticos a si mesmos? Provavelmente, não. O que pretende-se, portanto, com uma mídia imparcial: depender de uma análise quase que cientificamente elabora, onde todo o corpo é transcrito apenas de modo descritivo, ou uma mídia que esteja de acordo com os meus interesses ideológicos. A resposta? Por que depender tanto disso?


Talvez isso seja consequência do lado paternalista, que abraçou o brasileiro há muito tempo. Ora, o Estado, a grande mídia, representada pelos maiores veículos de informação, há anos, com sua ideologia enviesada, está a dominar as telinhas e as páginas dos jornais. Não estou a duvidar disso, nem nego que, em alguns casos, "interpretações subjetivas tornam-se verdade". Contudo, quando se está a falar em elaborações humanas, como é sempre válido lembrar, fica quase impossível retirar toda interpretação humana. Ainda que eu, na intenção de procurar algo imparcial, programasse uma máquina para transcrever, de modo automático e definido, um texto ou coluna, buscar-se-ia informações contidas e armazenadas na máquina, de modo que sejam inseridas no texto. Ainda assim, portanto, eu teria uma interpretação e seleção humana por trás da criação.


A busca pela imparcialidade, pelo menos nos maiores exemplos que poderíamos listar em nosso país, é, na verdade, algo quase impossível de se alcançar, a menos que se pretenda algo de cunho científico. O que busca-se, na verdade, é o "seu lado da história". Contudo, com isso não estou a defender nenhum tipo de "doutrinação ideológica". O ponto aqui é: as pessoas têm o direito de se expressarem, como o espírito conduzir, mas os leitores, ouvintes e todos que estão a consumir a informação, também têm o direito de protestar, de contestar, de discordar e de, quando for devidamente comprovado, lançar a verdade em face dos que estão a mentir e manipular a informação.


O que não é aceitável aqui é censurar por censurar, é chamar uma notícia ou acontecimento de mentiroso, simplesmente porque foi noticiado por alguém à direita ou à esquerda. A verdade não reside na ideologia, mas no fato em si. O problema é dizer que só os conservadores estão a falar a verdade, que só os socialistas estão a falar a verdade, isso é um erro terrível, cometido por alguém que está completamente dominado por seus ideais políticos.


Não há, por isso, qualquer possibilidade de retirar a política do homem, tendo em vista a observação Aristotélica "o homem é um animal político". A política abarca mais campos do que as pessoas podem imaginar. É claro que existem, portanto, visões mais à direita e à esquerda na mídia, mas não se pode depender apenas dessas manifestações para formar a própria opinião. Dizer que a Globo não pode dar uma notícia porque ela está mais à esquerda é o mesmo que dizer que você, leitor, não pode consumir este produto porque vestirá uma camisa do Che Guevara no dia seguinte. Isso é, aos moldes da filosofia de John Stuart Mill, uma maneira muito paternalista de reconhecer os leitores e consumidores do seu produto, coisa que, num adulto com suas faculdades mentais bem definidas, dotado de autonomia para fazer sua escolhas, seria inaceitável


Ou seja, eu não quero depender do Estado para formar minha opinião, não quero depender do Joãozinho ou da Mariazinha, eu quero errar e acertar, assumindo minha responsabilidade. Quando esta concepção filosófica está bem inserida numa sociedade, pouco importa o que a Globo, a CNN, a Record ou qualquer outra emissora disse, eu sou capaz de formar a minha própria opinião. É mais absurdo ainda, como ocorre em alguns casos, quando se está a impor, "numa coluna de opinião", a sua observação sobre o fato. Ora, o espaço foi concedido justamente para isso: é a minha opinião, não a sua. Evidentemente, a intenção, em alguns casos, é provocar, é mexer, é zombar, é abalar o leitor e, sendo assim, o leitor, em resposta, pode fazer o mesmo. O que não se pode fazer, nesse caso, é culto à sua subjetividade, como se você fosse o paladino da verdade. Tenho uma notícia chocante para informar: você não é.


Uma "imprensa imparcial", levando em consideração todo o corpo, a possibilidade de se transcrever artigos de opinião, como este que estou a fazer agora, é, na realidade, uma forma de dizer: confie em mim, eu não vou insultá-lo, não vou provocá-lo, não vou mexer com você. Uma imprensa imparcial não teria a menor graça — e eu prefiro zombar da burrice humana a coadunar com ela


Por Renan Jorge

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